15 minutos
Capa do resumo de A Máquina que Pensa

Tecnologia e futuro · 15 min

A Máquina que Pensa

Stephen Witt · 2025

Para quem é

Para quem quer entender como uma fabricante de placas de vídeo se tornou peça central da inteligência artificial. Serve a curiosos de tecnologia, empreendedores e estudantes.

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3 ideias pra levar

1

Pela leitura do livro, a estrutura achatada de Huang acelera a circulação de informações, mas expõe quem erra e exige cuidado com a pressão sobre as pessoas.

2

Segundo Witt, os próprios criadores da inteligência artificial divergem sobre riscos e benefícios, o que pede atenção ao debate em vez de adesão a promessas ou profecias.

3

Pela leitura do livro, a cadeia global de chips liga empresas, países e conflitos políticos, e quem importa tecnologia sente seus efeitos nos preços.

“
Grandes viradas costumam nascer de apostas mantidas por anos, enquanto quase todo mundo duvida.
Uma ideia de A Máquina que Pensa, nas palavras do 15 minutos

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O chip que virou o centro da economia

Poucas empresas passaram de nicho a peça central do mundo em tão pouco tempo quanto a Nvidia. Fabricante de chips para jogos de computador nos anos 1990, ela se tornou, nos anos 2020, uma das companhias mais valiosas do planeta, graças ao papel de seus processadores na inteligência artificial. O livro de Stephen Witt conta como isso aconteceu.

O jornalista acompanha a trajetória da empresa e de seu fundador e chefe, Jensen Huang, com acesso a entrevistas e a pessoas de dentro. O resultado combina biografia, história da tecnologia e reportagem de bastidores. A ideia que atravessa o livro é que as grandes viradas costumam nascer de apostas arriscadas, mantidas por anos, enquanto quase todo mundo duvida.

Vale ressaltar que a Nvidia, durante muito tempo, foi conhecida só por quem gostava de jogos. Quem montava um computador para jogar no fim dos anos 1990 conhecia a marca, mas pouca gente imaginava que ela estaria um dia no centro das discussões sobre trabalho, ciência e poder. Esse contraste dá ao livro boa parte do seu charme.

De Taiwan a um internato no Kentucky

Jensen Huang nasceu em Taiwan, em 1963, e ainda criança foi enviado com o irmão para os Estados Unidos, onde estudou num internato no estado do Kentucky. O lugar era bem mais duro do que a família imaginava, e a experiência de adaptação a um país novo, falando uma língua que mal dominava, aparece como marca da personalidade dele.

O livro usa esse período para mostrar um jovem que aprendeu a trabalhar em ambientes difíceis. Mais tarde, Huang se formou em engenharia elétrica e trabalhou em empresas de semicondutores antes de fundar a própria. Para o leitor brasileiro, a história lembra tantas trajetórias de migrantes que constroem carreiras longe de casa, com disciplina, adaptação e uma boa dose de teimosia.

A lanchonete onde tudo começou

Em 1993, Huang e dois colegas, Chris Malachowsky e Curtis Priem, fundaram a Nvidia. A história conta que as primeiras conversas aconteceram numa lanchonete na Califórnia, o que virou lenda no Vale do Silício. A aposta era que os computadores pessoais precisariam de placas gráficas poderosas para jogos em três dimensões, um mercado ainda incerto.

A empresa nasceu pequena, com poucos recursos e muita incerteza sobre qual tecnologia seguir. O livro mostra que, nos primeiros anos, a escolha de caminhos técnicos errados quase a destruiu. Isso reforça uma lição repetida ao longo da obra: o sucesso de hoje é, muitas vezes, filho de erros corrigidos a tempo e de uma capacidade rara de reconhecer um beco sem saída.

Um traço interessante do relato é a humildade forçada pelas crises. Os fundadores precisaram aprender a cortar projetos, a negociar com parceiros e a admitir limites técnicos, algo que muitos empreendedores brasileiros reconhecem ao abrir negócio com pouco capital e muita ambição.

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Sobre Stephen Witt

Stephen Witt é um jornalista e escritor norte-americano que escreve para revistas dos Estados Unidos. É autor de How Music Got Free, sobre a pirataria de música digital. Para o livro sobre a Nvidia, entrevistou Jensen Huang e pessoas de dentro da empresa. The Thinking Machine foi publicado em 2025.

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