Um narrador que confessa o medo
O livro é narrado por Rodrigo S.M., um escritor inventado, que avisa logo de início que vai contar a história de uma moça nordestina que viu pela rua. Ele não quer enfeitar: diz que escreve com pouca palavra e muito incômodo, e que o assunto o assusta porque quase nada acontece na vida dessa garota.
Ao longo das páginas, ele duvida de si, interrompe a história, fala de dor de dente e de culpa, oferece vários títulos alternativos e pergunta se tem o direito de contar a vida de outra pessoa. O romance é, ao mesmo tempo, a história da moça e o diário de um escritor tentando se aproximar dela.
Quem lê precisa aceitar esse jogo: a história de Macabéa vem filtrada por um homem que se acha incapaz de explicá-la. É como ouvir um conhecido contar sobre a vizinha do prédio, gaguejando, com vergonha de saber tão pouco.
