15 minutos
Capa do resumo de A Estranha Ordem das Coisas

Ciência · 15 min

A Estranha Ordem das Coisas

António Damásio · 2017

Para quem é

Para quem gosta de ciência e filosofia e quer entender o papel do corpo e dos sentimentos na origem da mente e da cultura. Leitura densa, mas recompensadora.

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3 ideias pra levar

1

Para o autor, sentimentos são a forma como o estado do corpo chega à mente, e por isso estão na origem da experiência consciente.

2

Segundo o livro, a cultura nasce como uma extensão criativa da regulação da vida, e não como algo separado da natureza.

3

Na leitura de Damásio, uma máquina sem corpo vulnerável dificilmente teria sentimentos como os nossos, o que coloca limites à comparação entre mente e computador.

“
Dormir mal pesa no humor do dia, e isso é biologia em ação, e não defeito de caráter.
Uma ideia de A Estranha Ordem das Coisas, nas palavras do 15 minutos

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A pergunta de fundo: de onde vêm a música, a lei e a medicina?

António Damásio abre o livro com uma pergunta ousada para um neurocientista. Por que os seres humanos criaram religiões, leis, artes, ciência, medicina e tantas outras invenções culturais? A resposta mais comum diz que foi a inteligência, a razão, o cérebro grande. Damásio acha essa história incompleta e propõe outra, que parte da biologia mais básica.

Segundo ele, a ordem em que as coisas aconteceram é estranha. Em vez de a razão comandar o resto, ela chegou tarde, apoiada em camadas anteriores da vida. Primeiro vieram mecanismos de regulação, depois sentimentos, depois a mente, depois a cultura. O livro tenta mostrar como cada passo se encaixa no seguinte, numa trajetória que vai de células simples a sociedades complexas.

Homeostase: manter a vida dentro da faixa

A palavra-chave do livro é homeostase. Trata-se do conjunto de processos que mantém os parâmetros de um organismo, como temperatura, acidez e nível de açúcar, dentro de uma faixa compatível com a vida. É o termostato interno que faz o corpo ajustar o suor, o batimento e a fome sem que a pessoa pense nisso.

Damásio argumenta que a homeostase vai além de apenas sobreviver. Ela empurra o organismo para um estado de bem-estar, uma espécie de vida que funciona bem e se projeta no futuro. Essa tendência é, para ele, o motor oculto que explica muita coisa, de uma bactéria que busca alimento a um artista que cria uma obra. Tudo isso seria, em última análise, formas de gerenciar a vida.

Um exemplo simples: ao sair para a rua num dia de calor, o corpo ativa o suor e pede água. Você pode nem perceber o mecanismo, mas sente sede e age. Esse pequeno ciclo de sinal, sentimento e ação é, para o autor, o modelo de funcionamento de todo o resto, em escalas cada vez maiores.

Vida sem cérebro: bactérias que já sabem se organizar

Antes de qualquer sistema nervoso, havia seres de uma só célula. Damásio chama atenção para o comportamento surpreendentemente sofisticado de organismos unicelulares, como as bactérias, que detectam o ambiente, se movem, trocam sinais e até cooperam em grupos. Isso acontece sem neurônios e sem mente no sentido que damos à palavra.

O ponto é mostrar que a inteligência, no sentido de resolver problemas de sobrevivência, é muito mais antiga que a mente consciente. Uma comunidade de bactérias, por exemplo, pode se organizar para resistir a um ataque ou aproveitar um alimento. Essa visão tira o ser humano do pedestal e o coloca numa linha contínua de vida, em que a cooperação é uma estratégia antiga e eficaz.

O livro usa esse argumento para desafiar a ideia de que a competição é a única lei da natureza. Cooperar também rende vantagem de sobrevivência, e muitas das sociedades humanas bem-sucedidas usaram essa carta. Pensar assim muda o olhar sobre o trabalho em equipe, a vizinhança e as redes de apoio.

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Sobre António Damásio

António Damásio é um neurocientista português nascido em Lisboa, em 1944. Ensina na Universidade do Sul da Califórnia, onde dirige o Brain and Creativity Institute com Hanna Damásio. É autor de O Erro de Descartes, Em Busca de Espinosa e E o Cérebro Criou o Homem. A Estranha Ordem das Coisas é de 2017.

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Categoria:
Ciência