Uma mulher, uma fazenda de tabaco e um diagnóstico
Henrietta Lacks nasceu em 1920 numa família negra e pobre da Virgínia, nos Estados Unidos, e passou a infância trabalhando em lavouras de tabaco. Casou-se com um primo, David Lacks, a quem todos chamavam de Day, e teve cinco filhos. Em 1951, aos trinta e um anos, sentiu algo estranho no corpo e procurou um médico.
O hospital mais próximo que atendia pessoas negras, naquele tempo de segregação racial, era o Johns Hopkins, em Baltimore, a cerca de duas horas de carro. Lá os médicos encontraram um tumor no colo do útero. O tratamento da época era radioterapia com rádio, e ela voltou várias vezes pra sessões enquanto a doença avançava.
O livro começa pela vida dela, não pelas células. Por trás do nome científico havia uma pessoa com rotina, laços e medos, cuja história foi esquecida durante décadas.
