15 minutos
Capa do resumo de A Vida Imortal de Henrietta Lacks

Ciência · 15 min

A Vida Imortal de Henrietta Lacks

Rebecca Skloot · 2010

Para quem é

Pra quem quer entender de onde vieram as células que ajudaram a criar vacinas e a estudar o câncer, e quem era a mulher por trás delas. É uma história sobre ciência, racismo, dinheiro e o direito de saber o que fazem com o seu corpo.

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3 ideias pra levar

1

Uma descoberta científica transformadora pode nascer de um ato que, pelos padrões de hoje, seria considerado violação de consentimento.

2

Dar nome e história a quem virou amostra muda a forma como olhamos a pesquisa, porque o dado deixa de ser anônimo e ganha família.

3

Quando um erro de laboratório revela algo inesperado, a ciência melhora seus protocolos, e admitir a falha ajuda a pesquisa a ficar mais confiável.

“
A vacina que ajudou a livrar o Brasil da pólio dependeu de células de uma mulher que já tinha morrido sem saber.
Uma ideia de A Vida Imortal de Henrietta Lacks, nas palavras do 15 minutos

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Uma mulher, uma fazenda de tabaco e um diagnóstico

Henrietta Lacks nasceu em 1920 numa família negra e pobre da Virgínia, nos Estados Unidos, e passou a infância trabalhando em lavouras de tabaco. Casou-se com um primo, David Lacks, a quem todos chamavam de Day, e teve cinco filhos. Em 1951, aos trinta e um anos, sentiu algo estranho no corpo e procurou um médico.

O hospital mais próximo que atendia pessoas negras, naquele tempo de segregação racial, era o Johns Hopkins, em Baltimore, a cerca de duas horas de carro. Lá os médicos encontraram um tumor no colo do útero. O tratamento da época era radioterapia com rádio, e ela voltou várias vezes pra sessões enquanto a doença avançava.

O livro começa pela vida dela, não pelas células. Por trás do nome científico havia uma pessoa com rotina, laços e medos, cuja história foi esquecida durante décadas.

A amostra que ninguém pediu permissão pra colher

Durante o tratamento, um médico retirou dois pedacinhos do tumor, sem que Henrietta soubesse e sem que ninguém pedisse autorização. Naquele tempo, era comum que hospitais universitários colhessem tecido de pacientes pobres pra pesquisa, e a ideia de consentimento informado, como entendemos hoje, ainda não era regra clara.

Os fragmentos foram enviados a George Gey, pesquisador do hospital que há anos tentava, sem sucesso, cultivar células humanas em laboratório. Todas as tentativas anteriores morriam em poucos dias. Ele queria encontrar células que sobrevivessem e se multiplicassem fora do corpo, pra estudar câncer e outros processos.

Henrietta morreu em outubro de 1951. A família só soube das células mais de vinte anos depois. O choque levanta uma pergunta: quem pode decidir sobre partes do corpo alheio?

HeLa: as células que não morriam

As células do tumor de Henrietta fizeram o que nenhuma outra tinha feito: sobreviveram e se multiplicaram sem parar em laboratório. Gey as batizou de HeLa, com as duas primeiras letras do nome e do sobrenome dela. Foram a primeira linhagem celular humana imortal, capaz de se dividir indefinidamente enquanto recebesse nutrientes.

O motivo, descoberto depois, é que o câncer de colo de útero dela era causado por um vírus, o HPV, e tinha uma mutação que mantinha as células sempre ativas. Células normais têm um limite de divisões e depois param. As da HeLa passaram a se reproduzir sem esse freio, o que as tornou ao mesmo tempo letais pra ela e valiosas pra ciência.

Gey não patenteou as células. Mandou amostras a colegas de graça, e o material se espalhou pelos laboratórios do mundo. Hoje se estima que o volume total de células HeLa cultivadas chegaria a dezenas de milhões de toneladas, segundo estimativa citada no livro, muito mais do que Henrietta pesava em vida.

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Sobre Rebecca Skloot

Rebecca Skloot é uma escritora americana de ciência que escreve sobre biologia, medicina e ética. A Vida Imortal de Henrietta Lacks, publicado em 2010, é seu primeiro livro e foi fruto de cerca de dez anos de pesquisa e de contato com a família Lacks. A obra virou best-seller internacional e ganhou adaptação pro cinema pela HBO, em 2017. Ela também criou uma fundação pra apoiar descendentes de Henrietta Lacks.

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Categoria:
Ciência