Uma epidemia que o mundo esqueceu
Entre 1917 e meados dos anos 1920, uma doença estranha se espalhou pelo mundo. Chamada de encefalite letárgica, ou doença do sono, ela inflamava o cérebro. Milhões de pessoas adoeceram e muitas morreram. Outras sobreviveram, mas saíram do episódio agudo diferentes do que eram antes.
Esse é o ponto de partida do livro. O neurologista Oliver Sacks conta que, décadas depois, ainda havia sobreviventes dessa epidemia internados num hospital de doenças crônicas em Nova York. Ninguém falava mais deles. A doença tinha sumido das manchetes, mas os pacientes continuavam ali, vivos, parados num canto da enfermaria.
Pense numa pessoa que ficou doente em 1925 e que, em 1966, ainda está na mesma cama, no mesmo corredor. Para o resto da cidade, o tempo andou. Para ela, quase nada se mexeu. O livro nasce da pergunta: o que dá para fazer por quem o mundo deu por encerrado?
