O parente que tem 98,8% dos seus genes
O argumento de abertura é simples: se você compara o DNA de humanos, chimpanzés comuns e bonobos, a divergência genética entre nós e cada um deles é de aproximadamente 1,6%. Com base nesse número, Diamond propõe colocar as três espécies no mesmo gênero, e aí humanos viram o terceiro chimpanzé. O título é polêmico de propósito: ele serve pra forçar o leitor a encarar o quanto de animal ainda carrega dentro de si.
Pra dar escala: as diferenças genéticas entre humanos de etnias diversas são irrisórias, cerca de uma fração pequena de 1%. Duas pessoas quaisquer, uma do Japão e uma do Nordeste brasileiro, compartilham mais genes entre si do que qualquer uma delas compartilha com um chimpanzé. Raça, do ponto de vista biológico, é uma classificação de valor científico muito limitado.
A conclusão que pauta o resto do livro: se somos tão parecidos geneticamente, a explicação do que nos tornou dominantes não pode estar só no DNA, e sim na pequena diferença que foi amplificada por um evento de cultura.
