15 minutos
Capa do resumo de A Ordem do Tempo

Ciência · 15 min

A Ordem do Tempo

Carlo Rovelli · 2017

Para quem é

Pra quem já se pegou pensando por que o tempo parece voar num fim de semana bom e travar numa fila de banco, e quer entender o que a física realmente sabe sobre isso. Serve também pra quem gosta de ciência contada com poesia, mas quer separar o que é medição comprovada do que é aposta pessoal do autor.

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3 ideias pra levar

1

Segundo a aposta de Rovelli, o tempo pode não ser um ingrediente básico do universo, só um efeito que aparece quando olhamos o sistema de longe.

2

A sensação de ter uma vida contínua depende mais da memória juntando os pontos do que de o tempo realmente escorrer por dentro de você.

3

Para Rovelli, encarar a própria finitude como parte natural do mundo pode doer menos do que negar que ela existe.

“
Um relógio que viaja rápido volta atrasado em relação a outro que ficou parado: isso já foi medido em laboratório, não é só teoria.
Uma ideia de A Ordem do Tempo, nas palavras do 15 minutos

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Por que o seu relógio não bate igual ao de outra pessoa

A gente cresce achando que existe um único tempo, igual pra todo mundo, como se o universo tivesse um relógio central e todo o resto só copiasse o ritmo dele. A física do século 20 derrubou essa ideia. Rovelli abre o livro com uma cena simples: dois relógios idênticos, um deixado no chão e outro posto em cima de uma estante, terminam marcando horários levemente diferentes. Não é defeito de fábrica, é a estrutura do próprio espaço e tempo funcionando assim.

A velocidade também interfere: quanto mais rápido um corpo se desloca em relação a outro, mais devagar o tempo passa pra ele, do ponto de vista de quem ficou parado. Isso já foi medido de verdade, em 1971, com relógios atômicos dentro de aviões comerciais que voaram ao redor do mundo e voltaram com uma diferença pequena, mas mensurável, em relação aos relógios que ficaram no chão, exatamente como a relatividade previa.

Dá pra pensar numa versão caseira: um irmão pega o ônibus pro trabalho todo dia, o outro vive viajando de avião entre cidades. O relógio biológico de cada um não anda no mesmo ritmo do outro. A diferença é pequena demais pra perceber, mas existe, e é medição, não filosofia.

A gravidade também pesa no relógio

Além da velocidade, a gravidade também mexe no ritmo do tempo. Quanto mais perto você está de uma massa grande, como a Terra, mais devagar o tempo passa pra você, comparado com alguém mais afastado dessa massa. Um relógio no térreo de um prédio anda, de fato, um pouquinho mais devagar do que um relógio no último andar.

Os satélites do GPS, os mesmos que localizam seu celular numa corrida de aplicativo, precisam corrigir esse efeito toda hora: lá em cima, o tempo deles corre num ritmo levemente diferente do nosso, e sem ajuste o mapa erraria seu endereço por quilômetros em poucas horas.

A cena dos dois relógios de Rovelli, um no chão e outro na estante, é exatamente essa: cientistas já mediram diferença de ritmo entre relógios separados por poucos centímetros de altura, com aparelhos de precisão extrema. Não é exagero de livro de divulgação, é resultado publicado e confirmado.

Não existe um agora que sirva pro universo inteiro

Outra ideia que a física relativista derruba é a de que existe um presente comum, um instante único acontecendo agora em todo canto do universo ao mesmo tempo. Pela relatividade, a simultaneidade entre dois eventos depende de quem observa: dois acontecimentos simultâneos num referencial podem não ser simultâneos vistos de outro referencial, em movimento diferente.

Isso soa estranho porque, no dia a dia, distâncias e velocidades são pequenas demais pra fazer diferença perceptível. Mas em escala cósmica, o agora de uma estrela distante e o seu agora, sentado no sofá, não se comunicam de um jeito único. Cada ponto de vista tem sua própria fatia de presente, e nenhuma vale mais que a outra.

Pense assim: seria como se cada grupo de WhatsApp da sua vida, o da família, o do trabalho, o dos amigos do bairro, tivesse um relógio levemente diferente, sem nenhum ser o oficial. O universo, nessa parte da física, funciona parecido: não existe grupo principal marcando a hora certa pra todo mundo.

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Sobre Carlo Rovelli

Carlo Rovelli é físico teórico italiano, nascido em 1956, uma das principais vozes da gravidade quântica em loop, teoria que tenta unir a mecânica quântica com a relatividade geral. Ele é pesquisador no Centre de Physique Théorique, em Marselha, na França, e já lecionou em universidades da Itália, dos Estados Unidos e do Canadá. Ficou conhecido do público geral com Sete Breves Lições de Física, best-seller traduzido para dezenas de idiomas, e seguiu na divulgação científica com outros livros, entre eles A Ordem do Tempo, publicado originalmente em 2017.