Um relógio numa charneca
Imagine caminhar por uma charneca, terreno seco e coberto de mato, e tropeçar num relógio caído no chão. Ninguém pensaria que ele brotou da terra ou foi moldado pelo vento: as engrenagens encaixam certo demais, os ponteiros giram na velocidade certa, tudo parece pensado pra cumprir uma função. Esse foi o argumento do clérigo inglês William Paley, publicado em 1802: se um relógio precisa de um relojoeiro, um ser vivo, muito mais complexo que qualquer relógio, também precisaria de um criador.
O Relojoeiro Cego nasce pra desmontar essa comparação sem negar o ponto de partida: sim, os seres vivos são complexos e parecem projetados. A virada do livro inteiro está em mostrar que existe uma explicação pra essa aparência de projeto que não passa por nenhum projetista.
