15 minutos
Capa do resumo de O Universo Numa Casca de Noz

Ciência · 15 min

O Universo Numa Casca de Noz

Stephen Hawking · 2001

Para quem é

Pra quem já ouviu falar de buraco negro, Big Bang ou viagem no tempo em algum vídeo ou conversa e quer entender a ideia por trás desses termos sem fórmula nenhuma. Também serve pra quem começou Uma Breve História do Tempo, travou no meio, e quer uma segunda chance com a mesma curiosidade.

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3 ideias pra levar

1

Segundo a previsão teórica de Hawking, ainda não observada diretamente, efeitos quânticos fazem o buraco negro soltar radiação aos poucos: nem o objeto mais escuro seria totalmente preto.

2

Em 2001, Hawking via um beco sem saída pra prever o futuro, porque a informação que caía num buraco negro parecia sumir; em 2004 ele mudou de ideia.

3

Para a teoria M, ainda sem confirmação experimental, o universo inteiro pode ser uma membrana entre muitas outras, quase encostada nas vizinhas sem que a gente perceba.

“
Na proposta de Hawking, tratar o tempo como mais uma direção do espaço transforma o início do universo numa borda suave, sem o ponto em que toda a matemática trava.
Uma ideia de O Universo Numa Casca de Noz, nas palavras do 15 minutos

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Um livro escrito pra quem travou no anterior

Em 1988 Hawking lançou Uma Breve História do Tempo e vendeu milhões de cópias, virando fenômeno mundial mesmo entre quem nunca tinha aberto um livro de física. O problema é que muita gente comprou, começou a ler e travou lá pelo meio, junto com o marcador de página até hoje.

O Universo Numa Casca de Noz, de 2001, nasce dessa constatação. Hawking tenta de novo, agora com bem mais ilustração e menos texto corrido por página, contar o que mudou na física teórica desde o primeiro livro, e encarar de frente assuntos que só tinha arranhado antes: viagem no tempo, buraco negro que solta radiação, e a possibilidade de existir mais universo além do nosso.

É como aquele livro grosso comprado pra enfeitar a estante e impressionar visita: a vontade de entender era real, só faltava um formato que ajudasse a virar mesmo a página seguinte.

Einstein tirou o tempo do posto de juiz universal

Antes de Einstein, o senso comum imaginava um tempo único, igual pra todo mundo, como um relógio gigante marcando hora oficial pro universo inteiro. A relatividade geral, que o livro retoma logo no primeiro capítulo, derruba essa ideia: espaço e tempo formam um só tecido, o espaço-tempo, que se deforma perto de massa grande e passa em ritmo diferente conforme a velocidade e a gravidade de cada lugar.

Uma ferramenta que o livro usa pra visualizar isso é o cone de luz: um desenho que mostra, pra cada ponto do espaço-tempo, tudo que ele pode influenciar no futuro e tudo que pode tê-lo influenciado no passado. Nada viaja mais rápido que a luz, então nada escapa desse cone, nem mesmo um sinal de rádio.

É parecido com o sinal do celular sumindo quando o ônibus entra num túnel: existe um instante exato em que o contato se perde, porque saiu do alcance. No espaço-tempo esse alcance também tem limite, e ele reorganiza a ideia de agora que a física antiga dava como certa.

Tempo tem forma, e pode ser imaginária

Um dos pontos mais discutidos do livro é a proposta de tempo imaginário, desenvolvida por Hawking com o físico Jim Hartle: um truque matemático que trata o tempo, dentro do cálculo, como se fosse mais uma direção do espaço, e não uma linha reta com começo marcado.

O motivo é resolver um problema incômodo: voltando o relógio até o início do universo pela matemática comum, as equações da relatividade geral quebram num ponto de densidade infinita, chamado singularidade, onde a física para de fazer sentido. Tratando o tempo como espaço, esse início vira uma borda suave, parecida com o polo sul de um globo terrestre: dá pra andar até lá e continuar andando, sem cair de um fim de mapa que na verdade não existe.

É uma ferramenta matemática testada mais por consistência interna do que por experimento, e o próprio livro trata o tema como proposta, não como fato fechado.

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Sobre Stephen Hawking

Stephen Hawking (1942-2018) foi físico teórico britânico e ocupou por trinta anos a cátedra lucasiana de matemática em Cambridge, o mesmo posto que Isaac Newton tinha ocupado séculos antes. Diagnosticado ainda jovem com esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que aos poucos tirou dele o movimento e depois a própria voz, ele seguiu pesquisando e dando aula com ajuda de um sintetizador de fala controlado por um sensor na bochecha. Já autor de Uma Breve História do Tempo, sucesso mundial de 1988, publicou O Universo Numa Casca de Noz em 2001 tentando explicar, com mais imagem e menos texto corrido, o que tinha mudado na física teórica desde então.

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Categoria:
Ciência