1851: o ano em que uma casa virou pretexto para tudo
Bryson escolhe o ano de 1851 como ponto de partida porque foi o ano em que a antiga casa paroquial onde ele mora, em Norfolk, na Inglaterra, foi construída para abrigar um pároco da Igreja Anglicana. É também o ano da Grande Exposição, montada em Londres dentro do Palácio de Cristal, um prédio gigantesco de ferro e vidro projetado por Joseph Paxton para mostrar ao mundo os inventos e produtos da época.
A exposição recebeu milhões de visitantes num único verão, e virou símbolo de um momento em que a vida doméstica comum estava prestes a mudar de forma rápida: luz melhor, comida guardada por mais tempo, casas maiores, mais objetos dentro de casa do que qualquer geração anterior teria imaginado acumular.
É esse contraste que puxa o livro inteiro: o autor usa a própria casa, cômodo por cômodo, como desculpa para contar a história de coisas banais como sal, sabonete, colchão e tomada, coisas que a gente usa todo dia sem nunca perguntar de onde vieram nem quanto trabalho, e às vezes quanto sofrimento alheio, custaram para chegar até aqui.
