15 minutos
Capa do resumo de A Sexta Extinção: Uma História Não Natural

Ciência · 15 min

A Sexta Extinção: Uma História Não Natural

Elizabeth Kolbert · 2014

Para quem é

Pra quem vê notícia sobre bicho ameaçado, floresta derrubada e recife branqueado e quer entender o conjunto, não só o susto de cada manchete. É um livro de reportagem científica que viaja do Panamá à Amazônia pra contar como as espécies estão sumindo.

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3 ideias pra levar

1

A palavra extinção virou ideia aceita só no século 19, quando alguém teve a coragem de olhar pra um osso gigante e admitir que o bicho tinha sumido de verdade.

2

Uma espécie pode desaparecer sem que ninguém a mate, só porque o clima muda mais depressa do que ela consegue caminhar pra um lugar melhor.

3

Quem transporta mercadoria e gente pelo planeta também transporta fungos, insetos e plantas, e isso mistura ecossistemas que levaram milhões de anos pra se separar.

“
A extinção pode chegar sem caçador nem motosserra, basta alguém mover um fungo de lugar.
Uma ideia de A Sexta Extinção: Uma História Não Natural, nas palavras do 15 minutos

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A pergunta do livro: estamos vivendo uma extinção em massa?

O livro parte de uma ideia ousada. A vida na Terra já passou por cinco grandes extinções em massa, momentos em que a maior parte das espécies desapareceu num intervalo curto em termos geológicos. Kolbert investiga se estamos entrando numa sexta, desta vez causada por uma única espécie: a nossa.

Ela não escreve como quem fica na biblioteca. A autora viaja a florestas, recifes, cavernas e laboratórios pra acompanhar o trabalho de cientistas em campo. Cada capítulo gira em torno de uma espécie ou de um lugar, e a história vai se montando como um quebra-cabeça de casos que, juntos, formam o retrato de uma crise.

O subtítulo, uma história não natural, avisa o ponto central: extinções sempre aconteceram, e é isso que torna a questão difícil de perceber. O que o livro defende é que a velocidade atual e a causa são diferentes do que a Terra viu antes.

As rãs douradas do Panamá

A abertura é um episódio concreto: a autora acompanha pesquisadores que tentam salvar sapos no Panamá. Num certo ano, anfíbios de florestas de altitude começaram a morrer em massa, e as espécies sumiram de riachos onde eram comuns. Um dos símbolos é a rã-dourada, que se tornou tão rara que hoje sobrevive sobretudo em cativeiro.

A causa é um fungo, o chitrídio, que infecta a pele dos anfíbios e atrapalha funções vitais, como respirar pela pele e absorver sais. O fungo teria sido espalhado pelo planeta por atividade humana, talvez no comércio de animais e no transporte de espécies. Os anfíbios foram pegos sem defesa, porque nunca tinham encontrado esse inimigo.

O caso mostra que a extinção não precisa de caçada nem de motosserra. Basta uma peça do ecossistema ser movida de lugar. No Brasil, o mesmo fungo foi encontrado em anfíbios da Mata Atlântica, e pesquisadores acompanham o impacto sobre sapos e pererecas.

Cuvier e a descoberta de que espécies podem sumir

O livro conta como a própria ideia de extinção é nova. Até o fim do século 18, a maioria dos naturalistas achava que a criação era completa e que nenhuma espécie podia desaparecer. O anatomista francês Georges Cuvier, estudando ossos de mamutes e de mastodontes, mostrou que aqueles animais não eram versões grandes de elefantes atuais, e sim bichos de outra época que já não viviam em lugar algum.

Cuvier defendia que a história da Terra teve catástrofes, eventos súbitos que eliminaram faunas inteiras. Depois, Charles Lyell e Charles Darwin enfatizaram mudanças lentas e graduais, e a ideia de catástrofe saiu de moda por muito tempo. A ciência só voltou a levar a sério os eventos bruscos no século 20.

A lição que Kolbert tira é que a ciência também precisa aprender a enxergar o que parecia impossível. Aceitar que o passado teve eventos violentos exigiu evidência forte e coragem de contrariar o consenso.

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Sobre Elizabeth Kolbert

Elizabeth Kolbert é jornalista americana, nascida em 1961, e repórter da revista The New Yorker desde 1999. Antes de A Sexta Extinção, publicou Field Notes from a Catastrophe, sobre mudança climática. O livro de 2014 ganhou o Prêmio Pulitzer de não ficção geral em 2015. Em 2021, lançou Under a White Sky, sobre intervenções humanas na natureza.

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Categoria:
Ciência