15 minutos
Capa do resumo de O Homem à Procura de Si Mesmo

Psicologia · 15 min

O Homem à Procura de Si Mesmo

Rollo May · 1953

Para quem é

Pra você que cumpre a rotina direitinho, mas sente um vazio difícil de explicar, ou que vive pensando em quem de fato é por trás dos papéis que desempenha. Serve a quem gosta de psicologia com filosofia e quer uma leitura mais reflexiva do que prática.

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3 ideias pra levar

1

Para May, viver bem encaixado no mundo ao redor não garante estar em paz consigo.

2

A ansiedade que aparece diante de uma escolha grande costuma indicar que algo importante está em jogo.

3

Coragem não é ausência de medo: é agir com ele no banco do carona.

“
Quando tudo vira tanto faz, o problema pode não ser cansaço, e sim um eu que ficou sem voz.
Uma ideia de O Homem à Procura de Si Mesmo, nas palavras do 15 minutos

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Um livro sobre o vazio de uma época

Quando Rollo May publicou este livro, em 1953, o mundo saía de uma guerra mundial e entrava na era da bomba atômica e da prosperidade americana. Havia emprego, casa própria e geladeira nova. Mesmo assim, os consultórios se enchiam de gente que não sabia dizer o que doía.

O ponto de partida do autor é essa observação clínica. Os pacientes já não chegavam apenas com sintomas dramáticos. Muitos diziam que estavam vazios, sem vontade, sem rumo, como se vivessem de longe a própria vida. A queixa não era um sofrimento específico, e sim a falta de sentido.

A tese é que o ser humano moderno perdeu o contato com a própria identidade. Ele sabe que papel desempenha, mas não sabe quem é. Todo o livro tenta descrever como isso aconteceu, o que significa e o que pode ser feito, sempre dentro da corrente da psicologia existencial.

O homem que não estava lá

May usa uma imagem para descrever essa condição: a de uma pessoa que está presente no corpo, mas ausente de si. A figura vem de uma brincadeira poética sobre alguém que, na escada, encontra um homem que não estava lá. O autor lê aí o retrato do indivíduo que vive sem se sentir presente.

Pense em alguém que acorda, vai ao trabalho, volta, vê televisão, dorme, e repete o ciclo por meses. Cumpre todas as tarefas. Se alguém perguntar o que ele quer, o que sente, o que valoriza, a resposta demora. Essa dificuldade de responder é o que o livro chama de perda do eu.

Importante: não se trata de falta de inteligência nem de preguiça. São pessoas funcionais, até bem-sucedidas, mas desconectadas de si mesmas. A dor, nesse caso, é silenciosa, e por isso mesmo é fácil de ignorar. Ela costuma aparecer em momentos de pausa, como a madrugada ou o domingo à noite.

Quando tudo vira tanto faz

Um dos sinais mais claros dessa perda é a apatia. Quando o desejo diminui, a pessoa passa a viver no piloto automático, com um tanto faz que parece neutro, mas na verdade é uma defesa. Se nada importa, nada pode decepcionar. É um jeito de se proteger da dor de querer e não conseguir.

May afirma que esse vazio costuma vir acompanhado de uma busca desesperada por estímulos. A pessoa preenche o tempo com barulho, telas, compras, festas, trabalho em excesso, qualquer coisa que a distraia da própria ausência. Hoje isso lembra a rolagem infinita do celular, que ocupa sem alimentar.

O autor não condena o prazer nem o descanso. O que ele critica é usá-los como anestesia. Aos poucos, a distração deixa de aliviar e passa a aprofundar o buraco. Reconhecer esse mecanismo é, para ele, o primeiro passo de qualquer processo sério de volta a si.

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Sobre Rollo May

Rollo May foi um psicólogo americano, nascido em 1909 e morto em 1994. Estudou teologia e depois psicologia clínica, e se doutorou na Universidade Columbia com um trabalho sobre ansiedade, publicado em 1950. Foi um dos principais nomes da psicologia existencial nos Estados Unidos, influenciado por pensadores europeus como Kierkegaard. Escreveu também Amor e Vontade e A Coragem de Criar.

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Categoria:
Psicologia
Autor:
Rollo May
Faz parte das Jornadas:
Teorias da personalidade