15 minutos
Capa do resumo de O Gorila Invisível

Psicologia · 15 min

O Gorila Invisível

Christopher Chabris e Daniel Simons · 2010

Para quem é

Pra você que confia demais na própria memória, na atenção e na intuição, ou que já se pegou jurando ter visto algo que não aconteceu. Serve a quem dirige, decide, trabalha com gente ou só quer errar menos no dia a dia.

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3 ideias pra levar

1

A sensação de lembrar com nitidez mede emoção, não exatidão: uma memória vívida pode estar errada.

2

Quem fala com firmeza convence mais, e isso não diz quem de fato acertou.

3

Dois fatos que acontecem perto no tempo parecem ligados, mas coincidência não prova causa.

“
Olhar para uma cena não garante enxergá-la: o que você não está procurando pode passar bem na sua frente.
Uma ideia de O Gorila Invisível, nas palavras do 15 minutos

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O vídeo do basquete e o gorila

Em 1999, na Universidade Harvard, dois pesquisadores mostraram a voluntários um vídeo curto de duas equipes passando bola de basquete, uma de camisa branca e outra de preta. A tarefa era contar quantos passes o time branco fazia. Parecia fácil, e as pessoas se concentravam.

No meio da cena, uma pessoa fantasiada de gorila atravessava a quadra, parava no centro, batia no peito e saía, depois de uns nove segundos. Quando perguntaram se tinham visto algo estranho, cerca de metade dos participantes respondeu que não. Muitos nem acreditaram quando reviram o vídeo.

Esse é o ponto de partida do livro: nós achamos que vemos tudo que está diante dos olhos, mas a atenção funciona como lanterna. Só enxerga bem o que está sob a luz. Os autores usam essa cena para abrir uma série de ilusões do cotidiano, todas ligadas a como a gente pensa que a própria mente funciona.

Cegueira por desatenção

O nome técnico do fenômeno é cegueira por desatenção. Ela acontece quando a mente está ocupada com uma tarefa e deixa de registrar objetos inesperados, mesmo que estejam bem à vista. Não é problema de visão, e não depende de inteligência. Qualquer pessoa pode passar por isso.

Os autores destacam que o erro é mais forte quando o objeto inesperado é diferente do que procuramos. No vídeo, quem prestava atenção em camisas brancas tinha mais chance de perder o gorila preto. Quem sabe procurar algo específico acaba filtrando o resto sem perceber.

O mais traiçoeiro é a falta de aviso. Quando a atenção falha, não surge sinal de alerta na cabeça. Por isso as pessoas tendem a dizer que isso nunca aconteceria com elas, o que é a segunda ilusão: a de que a gente sabe o quanto percebe.

No trânsito: olhou, mas não viu

Esse fenômeno explica um acidente que todo motorista brasileiro conhece. A pessoa olha para o retrovisor, não vê a moto e muda de faixa. Ou atravessa o cruzamento com o celular na mão e não percebe o ciclista que vinha pela direita. O olhar passou, mas a atenção estava em outro lugar.

A pesquisa sobre atenção ao volante mostra que conversar no telefone atrapalha mesmo com viva-voz ou fone de ouvido, porque o problema é mental e não da mão ocupada. Aqui no Brasil, usar o celular com o carro em movimento é infração gravíssima, com multa e pontos na carteira.

Quem dirige costuma achar que está acima da média e que domina a tarefa. É justamente a ilusão que os autores descrevem. Se a mente já está sobrecarregada, o gorila pode ser uma criança correndo atrás da bola, e ninguém vê.

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Sobre Christopher Chabris e Daniel Simons

Christopher Chabris e Daniel Simons são psicólogos americanos que estudam atenção, memória e percepção. Simons dá aulas na Universidade de Illinois, e Chabris era professor no Union College, também nos Estados Unidos, na época do livro. Os dois ficaram conhecidos pelo experimento do gorila, feito nos anos 1990, que lhes rendeu um prêmio Ig Nobel em 2004. O livro de 2010 transformou anos de pesquisa em um texto para o grande público.

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Categoria:
Psicologia
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