O eu não é dono da casa toda
Jung parte de uma constatação simples: a gente acredita ser aquilo que pensa e decide, mas a mente vai muito além do que está à vista. O eu, que é o centro da consciência e o que chamamos de 'eu mesmo', seria só a parte iluminada de um espaço muito maior, em grande parte escuro.
Pense no chefe que jura que não se irrita, mas explode toda segunda-feira, ou na pessoa que decide mudar de vida e repete o mesmo padrão em três empregos. O eu quer uma coisa, e algo fora do campo da consciência puxa pra outra. Para Jung, esse 'algo' tem lógica própria e merece atenção, não desprezo.
O livro se propõe a descrever as relações entre o eu e esse território desconhecido, o inconsciente, e a mostrar como a pessoa pode conviver com ele sem ser dominada nem fingir que ele não existe. É um texto de 1928, e parte do vocabulário que hoje usamos sobre 'lados escondidos' vem de lá.
