15 minutos
Capa do resumo de O Erro de Descartes

Psicologia · 15 min

O Erro de Descartes

António Damásio · 1994

Para quem é

Pra você que acha que decidir bem é deixar a emoção de lado e já travou diante de uma escolha, mesmo depois de analisar tudo. O livro mostra, com casos de lesão no cérebro, por que sentir faz parte de pensar.

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3 ideias pra levar

1

Um caso famoso de lesão no cérebro, como o de Phineas Gage, ensina muito, mas os detalhes foram embelezados com o tempo.

2

Para o livro, a mente não é um fantasma dentro do corpo: ela depende de um corpo que sente.

3

Para o autor, ensinar a reconhecer e a conversar sobre sentimentos é treinar o raciocínio, e não atrapalhá-lo.

“
O caso de Elliot sugere que dá pra ter lógica de sobra e, sem sentir nada, não conseguir escolher.
Uma ideia de O Erro de Descartes, nas palavras do 15 minutos

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Penso, logo existo?

No século dezessete, o filósofo francês René Descartes resumiu uma ideia que moldou o pensamento ocidental: penso, logo existo. Para ele, a mente, feita de pensamento, era uma coisa; o corpo, feito de matéria, era outra. Razão de um lado, corpo e sentimentos do outro, e a razão no comando. Essa separação ficou conhecida como dualismo.

Em 1994, o neurologista português António Damásio publicou O Erro de Descartes para dizer que essa divisão não se sustenta. Baseado em pacientes com lesões cerebrais, ele defende que a razão não funciona bem sem emoção, e que a mente depende de um corpo que sente. O erro do título é esse corte entre pensar e sentir.

O livro é mais técnico que muitos de divulgação, com nomes de áreas do cérebro e casos clínicos. Mas o fio é simples: quem perde a capacidade de sentir também perde parte da capacidade de decidir. Vamos passar pelos casos, pelas ideias principais e pelas críticas que a ciência fez desde então.

Phineas Gage: o ferro que atravessou a cabeça

A história começa em 1848, no estado americano de Vermont. Phineas Gage, de 25 anos, era encarregado de uma obra de ferrovia e usava uma barra de ferro de cerca de um metro para socar pólvora em buracos na rocha. Uma explosão inesperada lançou a barra, que entrou por baixo do olho esquerdo e saiu pelo alto do crânio.

Gage sobreviveu, falava e andava. Segundo o médico que o tratou, John Harlow, o homem responsável e equilibrado ficou impaciente, grosseiro e incapaz de manter planos. Para os amigos, já não era o mesmo Gage. Damásio e a esposa usaram o crânio preservado para reconstruir por computador a rota da barra e concluir que ela atingiu a região frontal inferior do cérebro.

A lição seria que partes do cérebro ligadas à emoção e ao julgamento social podem ser lesadas sem prejudicar fala, memória e inteligência. É uma história forte, mas os registros são escassos e já foram embelezados ao longo do tempo. Ela abre o livro como alerta de que pensar bem e se comportar bem não são a mesma coisa.

Elliot: inteligente e incapaz de decidir

O segundo caso é o de um paciente chamado Elliot, um homem bem-sucedido nos negócios e na família. Ele teve um tumor perto da testa, que comprimia as regiões frontais do cérebro, e a cirurgia retirou o tumor e um pouco de tecido saudável ao redor. Os testes depois mostraram inteligência, memória e linguagem normais.

Mas a vida de Elliot desabou. Ele perdeu o emprego, fez maus negócios, faliu e se separou. Passava horas analisando detalhes sem concluir nada: para marcar a próxima consulta, por exemplo, comparava dias, trânsito e clima por tanto tempo que uma decisão simples virava impossível. Falava das próprias tragédias com frieza, como se fossem de outra pessoa.

Para Damásio, o ponto é que Elliot sabia raciocinar, mas não sentia o peso das alternativas. Sem a sensação de que uma opção é melhor ou pior, todas ficavam parecidas. O caso sugere que dá pra ter lógica de sobra e, sem sentir nada, não conseguir escolher. É um caso único, o que limita as conclusões, mas é a porta de entrada do livro.

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Sobre António Damásio

António Damásio nasceu em Lisboa em 1944 e é neurologista e neurocientista. Formou-se em medicina na Universidade de Lisboa, trabalhou por décadas na Universidade de Iowa e hoje é professor na Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Co-dirige, com a esposa Hanna Damásio, o Instituto do Cérebro e da Criatividade, e recebeu com ela o Prêmio Príncipe das Astúrias em 2005. Entre outros livros, escreveu Em Busca de Espinosa, em 2003.

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Psicologia
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