Humanos de verdade, não robôs de planilha
A economia tradicional trabalhou por décadas com um personagem imaginário: uma pessoa que calcula tudo direito, nunca esquece nada e escolhe exatamente o que é melhor pra ela no longo prazo. Thaler e Sunstein dão um nome brincalhão pra esse personagem: Econ. O problema é que ninguém que você conhece é um Econ.
As pessoas de verdade, que os autores chamam simplesmente de Humanos, esquecem de pagar o boleto, adiam o exame de rotina, gastam o décimo terceiro antes de dezembro acabar e sabem que deviam guardar uma parte do salário todo mês, mas o cartão de crédito costuma chegar primeiro.
A tese central do livro nasce daí: como quem decide na vida real é Humano, e não Econ, o jeito como uma escolha é apresentada muda o resultado de forma mensurável. Isso não é falta de inteligência, é sobre como a cabeça funciona sob pressa e distração, o que vale pro executivo tanto quanto pro trabalhador do turno da noite.
