A ilusão do crédito fácil e a fábrica de dívidas
O sistema financeiro adora vender a ilusão de que qualquer pessoa pode enriquecer rápido tomando dinheiro emprestado. Nos Estados Unidos dos anos 2000, essa promessa explodiu no crédito habitacional sem comprovação de renda, emprego ou patrimônio prévio. Era a consagração do empréstimo subprime, modalidade de alto risco concedida em massa a tomadores com histórico financeiro extremamente vulnerável.
No dia a dia brasileiro, é o mesmo que financiar um carro importado sem entrada e sem carteira assinada, apenas porque as primeiras parcelas do carnê cabem no orçamento do mês. O problema oculto é que o contrato previa juros promocionais curtos, seguidos de reajustes contratuais brutais que tornavam as prestações impagáveis após dois anos de vigência.
O mercado ignorava o perigo apostando que o preço dos imóveis subiria sem parar. Se a parcela ficasse pesada, bastaria vender a casa mais caro no mercado aquecido ou refinanciar a dívida com base na valorização recente. Essa euforia sem base na renda real das famílias alimentou uma pirâmide gigantesca de contratos de hipoteca.
