O fim de um ciclo de seis décadas
Desde o término da Segunda Guerra Mundial, as economias desenvolvidas do Ocidente e do Japão experimentaram uma expansão de crédito ininterrupta que moldou a sociedade contemporânea. Durante quase sessenta anos, empresas, famílias e governos operaram sob a crença confortável de que o crescimento econômico e o bem-estar social poderiam ser continuamente impulsionados pela emissão acelerada de dívida pública e privada.
Em Endgame, publicado em 2011 no rescaldo da crise financeira global e durante o auge da crise de dívidas soberanas na Europa, John Mauldin e Jonathan Tepper diagnosticam que esse superciclo de crédito atingiu seu limite matemático intransponível. A dívida acumulada não funciona como um motor eterno de riqueza; ela representa, em sua essência, o consumo adiantado do futuro, que em algum momento exige a dolorosa prestação de contas no presente.
Para o leitor brasileiro, que já testemunhou na própria história nacional crises de moratória externa e planos econômicos frustrados, a tese soa familiar. O livro alerta que o mundo rico entrou em uma fase histórica terminal, na qual a capacidade de rolagem dos débitos estatais esbarrou na desconfiança dos mercados de capitais, inaugurando uma era de ajustes severos e crescimento anêmico.
