15 minutos
Capa do resumo de A Economia das Crises

Finanças · 15 min

A Economia das Crises

Nouriel Roubini · 2010

Para quem é

Pra você que quer entender por que crises financeiras se repetem e o que as alimenta, sem precisar de diploma em economia. Serve a quem acompanha notícias de juros, dívida e bancos e quer enxergar o padrão por trás delas.

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3 ideias pra levar

1

Para o livro, crises financeiras são fenômenos repetidos, com causas conhecidas, e não raios do acaso.

2

Dívida que só fecha se o preço do ativo continuar subindo é fragilidade escondida, mesmo quando tudo parece ótimo.

3

Grandes empresas financeiras contam com o socorro público, e essa expectativa estimula mais risco do que o saudável.

“
País que depende de dinheiro de fora sente primeiro quando o humor do mercado global muda.
Uma ideia de A Economia das Crises, nas palavras do 15 minutos

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O economista que ficou conhecido como Dr. Catástrofe

Em 2006, num encontro de especialistas, um professor de Nova York avisou que o mercado imobiliário americano ia estourar e arrastar o sistema financeiro. Vários colegas acharam exagero. Dois anos depois, o mundo viveu a maior crise desde a década de 1930, e Nouriel Roubini virou nome conhecido, com o apelido de Dr. Catástrofe, ou Dr. Doom, em inglês.

A Economia das Crises nasceu desse prestígio. Escrito com o historiador Stephen Mihm e lançado em 2010, o livro tenta responder a uma pergunta incômoda: se a crise foi tão grande, por que quase ninguém esperava por ela? E, mais importante, o que fazer para que a próxima não pegue todo mundo de surpresa?

A resposta do autor é direta. Crises financeiras não são raios que caem do céu. São fenômenos repetidos, com padrões reconhecíveis, e quem estuda a história consegue enxergar os sinais com antecedência razoável.

O resultado é um livro escrito em linguagem acessível, com histórias de bastidores, que tenta transformar um assunto aparentemente árido em algo que o leitor comum consegue acompanhar.

Cisne branco, não cisne negro

Existe uma expressão famosa para eventos raríssimos e imprevisíveis: cisne negro. Roubini discorda de usá-la para crises financeiras. Para ele, elas são cisnes brancos: aparecem de tempos em tempos, com causas conhecidas, e deixam pistas pelo caminho.

Isso tem consequências práticas. Se a crise fosse imprevisível, só restaria rezar e torcer. Sendo previsível, dá para criar regras, alertas e freios que reduzam o tamanho do estrago. A culpa por não ter agido passa a ser de gente que podia ter olhado os sinais e preferiu não olhar.

Pense em um dique de rio. O rio vai subir, todo mundo sabe. O que varia é se a cidade construiu a proteção antes da cheia ou depois do desastre.

É por isso que o livro dedica tanto espaço à história: ela serve de manual de sinais. Crédito crescendo rápido demais, preços descolados da renda e discurso de que o risco acabou são avisos recorrentes.

A fórmula em que o livro se apoia

O esqueleto da explicação vem de um economista americano, Hyman Minsky, que estudou como o crédito se comporta ao longo do tempo. A ideia é que, quanto mais calma está a economia, mais as pessoas e as empresas se endividam, e isso prepara o terreno para a crise seguinte. A estabilidade, por si só, planta instabilidade.

Minsky descreveu três estágios de financiamento. No primeiro, o devedor consegue pagar juros e principal com o que ganha. No segundo, só consegue pagar os juros e rola a dívida principal. No terceiro, depende de que o preço do ativo suba para quitar o que deve, uma situação parecida com a de um esquema de pirâmide.

Quando muita gente chega ao terceiro estágio ao mesmo tempo, basta uma pequena queda de preços para tudo desmoronar. É o chamado momento Minsky.

Vale guardar essa sequência na cabeça: calmaria, endividamento, aposta no aumento de preços, queda e pânico. Ela aparece, com variações, em quase todos os capítulos.

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Sobre Nouriel Roubini

Nouriel Roubini nasceu em Istambul, na Turquia, em 1958, numa família de judeus iranianos, e cresceu na Itália. É professor da Escola de Negócios Stern, da Universidade de Nova York. Ficou famoso por alertar, antes de 2008, sobre o risco de uma grande crise financeira. Escreveu o livro com o historiador Stephen Mihm.

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