O que é a cetose e a troca de combustível corporal
Na alimentação contemporânea tradicional, a maior parte da energia celular provém dos carboidratos, que são rapidamente convertidos em glicose na corrente sanguínea. Quando a ingestão de açúcares, farinhas e amidos é reduzida a patamares mínimos diários, o corpo esgota as suas reservas imediatas de glicogênio hepático e muscular, sendo obrigado a buscar uma via alternativa para continuar alimentando órgãos vitais e o cérebro.
Esse estado metabólico alternativo é denominado cetose nutricional. Diante da escassez prolongada de glicose circulante, o fígado passa a quebrar ácidos graxos provenientes da alimentação e do próprio tecido adiposo, transformando-os em moléculas energéticas chamadas corpos cetônicos, com destaque para o beta-hidroxibutirato e o acetoacetato. Os corpos cetônicos atravessam a barreira hematoencefálica e passam a suprir com eficiência as demandas da maioria dos tecidos corporais.
Essa mudança profunda na matriz energética não ocorre do dia para a noite. Ela demanda um período de transição fisiológica em que o maquinário celular produz novas enzimas para otimizar o transporte e a oxidação dos lipídios, alterando a forma como o organismo gerencia o gasto calórico.
