Um livro pensado pra explicar estrutura, não pra contar causo
Boris Fausto era cientista político antes de se tornar historiador, e isso muda o jeito como o livro é organizado. Ele não está atrás do personagem pitoresco nem do detalhe picante de bastidor: quer entender por que o Brasil colonial funcionava daquele jeito, quem lucrava com cada arranjo econômico e como cada crise política nasceu de uma tensão que já vinha se acumulando havia décadas.
Por isso o livro lê como aula de curso de graduação, não como romance histórico. Fausto divide o país em blocos: colônia, império, primeira república, era Vargas, democracia, regime militar, redemocratização. Em cada bloco ele repete o mesmo tipo de pergunta, como a economia estava organizada, quem tinha poder de fato, e por que aquele arranjo desmoronou no bloco seguinte.
Pra quem já decorou resumo de vestibular numa madrugada de sono trancado, essa estrutura é familiar: é o jeito como quase todo professor de história do ensino médio brasileiro organiza a matéria até hoje, porque bebeu direto ou indiretamente nesse livro.
