Um professor de história que não queria ser embaixador
Em 1933, Franklin Roosevelt precisava de alguém pra ocupar o posto de embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, e quase ninguém queria o cargo. Vários nomes de peso recusaram o convite, com medo do que a ascensão de Hitler podia representar pra carreira de qualquer um. Foi assim que a escolha caiu sobre William Dodd, um professor de história da Universidade de Chicago, especialista no Sul dos Estados Unidos, sem experiência nenhuma em diplomacia de alto nível.
Dodd topou o convite por um motivo prático: precisava de tempo e de um salário estável pra terminar um livro grande sobre história americana que vinha escrevendo havia anos. Berlim, imaginava ele, seria um posto tranquilo, quase um retiro pago pelo governo. Ele não fazia ideia do tamanho do que estava prestes a testemunhar.
Diferente dos diplomatas de carreira, ele levava hábitos de professor de escola pública: economia no dia a dia, desconfiança de festa cara, gosto por trabalho solitário. Esse jeito simples, que a princípio parecia deslocado numa embaixada, acabou sendo também o que deu a ele um olhar mais cru sobre o que estava acontecendo ao redor.
