Um correspondente que foi ver uma guerra dentro do próprio país
Em 1897 o Brasil era uma República jovem, proclamada havia menos de dez anos, ainda insegura sobre a própria forma de governo. No interior da Bahia, um conflito armado entre tropas do Exército e moradores de um povoado chamado Canudos virou notícia nacional. O jornal O Estado de São Paulo mandou Euclides da Cunha, engenheiro de formação, cobrir a campanha como correspondente.
Euclides chegou ao sertão esperando descrever uma operação militar rápida contra um grupo tratado pela imprensa da época como ameaça à ordem republicana. Encontrou uma guerra longa, cara e mal planejada, travada contra uma população pobre que resistiu por meses a um Exército muito mais armado. Essa experiência sustenta o livro que ele publicaria cinco anos depois, em 1902.
Os Sertões não é romance nem relatório militar comum. É dividido em três partes, A Terra, O Homem e A Luta, que explicam a guerra a partir do território, das pessoas que viviam ali e só depois dos combates: entender o conflito exigia entender antes onde e com quem ele acontecia.
