15 minutos
Capa do resumo de O Livro de Ouro da Mitologia

História · 15 min

O Livro de Ouro da Mitologia

Thomas Bulfinch · 1855

Para quem é

Pra quem quer entender de onde vêm expressões como calcanhar de Aquiles, caixa de Pandora e cavalo de Troia, e conhecer as histórias principais dos deuses e heróis gregos e romanos sem precisar encarar tratados acadêmicos. Também serve de porta de entrada pra ler poesia, ver museus e entender referências da cultura pop.

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3 ideias pra levar

1

Os mitos funcionaram como ciência antes da ciência: a ausência de Perséfone era uma das respostas que os antigos davam para a chegada do inverno.

2

A história de Orfeu mostra que a pressa de conferir o que se conquistou pode custar justamente o que se acabou de conquistar.

3

Segundo o livro, os doze trabalhos de Héracles contam que a glória nasce de tarefas pesadas e repetidas, não de um feito único e brilhante.

“
A parte mais bonita do mito de Pandora não é o que escapou do pote, é o que ficou no fundo.
Uma ideia de O Livro de Ouro da Mitologia, nas palavras do 15 minutos

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O bancário de Boston que traduziu os deuses

Thomas Bulfinch não era um professor de grego nem um arqueólogo. Era um funcionário de banco em Boston que amava literatura e percebeu um problema prático: os leitores de língua inglesa encontravam deuses e heróis clássicos em poemas, peças e quadros e não entendiam metade das referências.

Sua resposta foi um livro de divulgação, publicado em 1855 com o título de A Idade da Fábula, que no Brasil circula como O Livro de Ouro da Mitologia. A proposta é contar as histórias principais de modo claro, sem erudição, para quem quer entender uma alusão ou apreciar uma obra de arte.

É por isso que o livro funciona até hoje como mapa de bolso. Pense no ponto de partida de quem vai ao museu e não sabe quem é aquela mulher com uma coruja ao lado, ou de quem lê um verso e esbarra em um nome desconhecido. Aqui você encontra o essencial.

Antes do Olimpo: o Caos, os titãs e a guerra entre gerações

A mitologia grega começa com o Caos, uma massa informe da qual nascem a Terra e o Céu. Dessa união surgem os titãs, seres gigantescos, entre eles Cronos, que toma o poder do pai. Avisado de que um filho o derrubaria, Cronos engole cada criança logo que ela nasce.

A mãe, Reia, esconde o caçula, Zeus, e dá ao marido uma pedra enrolada em panos. Criado em segredo, Zeus cresce, obriga o pai a devolver os irmãos e lidera uma longa guerra contra os titãs. Vence com a ajuda dos ciclopes, que lhe dão os raios.

O enredo é simples e duro: o poder que devora os herdeiros é derrubado por um deles. Funciona como um aviso a quem acha que pode segurar o trono para sempre, seja numa corte, seja numa empresa de família em que o fundador não larga o cargo.

O Olimpo e seus moradores

Vencida a guerra, Zeus fica com o céu, Posídon com o mar e Hades com o mundo dos mortos. No monte Olimpo vive a família divina: Hera, esposa de Zeus e protetora do casamento; Atena, da sabedoria; Apolo, da música e da profecia; Ártemis, da caça; Afrodite, do amor; Ares, da guerra; Hefesto, do fogo e da forja; Hermes, mensageiro; Deméter, das colheitas; Dioniso, do vinho.

Bulfinch usa os nomes romanos, que são os que chegaram à tradição ocidental: Júpiter, Juno, Netuno, Plutão, Minerva, Diana, Vênus, Marte, Vulcano, Mercúrio, Ceres e Baco. Para o leitor brasileiro, é uma pista curiosa, porque esses nomes estão nos planetas, nos meses e até no cereal do café da manhã, que vem de Ceres.

O que impressiona é como esses deuses são humanos: brigam, invejam, se apaixonam, enganam. Para os antigos, divindade não era sinônimo de perfeição moral, e sim de poder. Por isso as histórias soam mais como novela de família do que como catecismo.

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Sobre Thomas Bulfinch

Thomas Bulfinch nasceu em 1796, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e morreu em 1867. Formou-se em Harvard e passou a maior parte da vida como funcionário de um banco em Boston, e não como professor ou pesquisador. Escreveu por gosto, e sua obra sobre mitologia foi pensada para leitores comuns que quisessem entender as referências clássicas da literatura. Além da parte sobre os mitos antigos, publicou também volumes sobre o ciclo do rei Artur e sobre as lendas de Carlos Magno.

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Categoria:
História