Um vendedor de copos de papel aos 52 anos
Quando Ray Kroc visitou os irmãos McDonald, na Califórnia, em 1954, ele não era um jovem empreendedor de garagem. Tinha 52 anos, convivia com problemas de saúde e passara décadas vendendo coisas para os outros: copos de papel, depois máquinas de milk-shake. Para a maioria das pessoas, aquela seria a fase de desacelerar.
Fome de Poder é a autobiografia dele, publicada em 1977 com a ajuda de um coautor. O título em português sugere sede de domínio, mas o livro gira mais em torno de insistência, método e a obsessão por um produto padronizado. Kroc conta como uma sequência de empregos mal pagos, tentativas frustradas e anos de venda porta a porta o prepararam, sem que ele soubesse, para o grande negócio.
A lição inicial é incômoda e animadora. Incômoda porque mostra que o sucesso dele demorou décadas. Animadora porque desmonta a ideia de que só dá para começar algo grande aos vinte e poucos anos. Isso não torna a trajetória simples nem imitável, mas lembra que experiência acumulada também é capital.
