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Capa do resumo de Escravidão – Volume I: Do Primeiro Leilão de Cativos em Portugal até a Morte de Zumbi dos Palmares

História · 15 min

Escravidão – Volume I: Do Primeiro Leilão de Cativos em Portugal até a Morte de Zumbi dos Palmares

Laurentino Gomes · 2019

Para quem é

Pra quem quer entender, com base em pesquisa séria, como começou a escravidão atlântica e por que ela deixou marca até hoje na sociedade brasileira. Um resumo pra quem prefere fato documentado à versão resumida que aprendeu na escola.

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3 ideias pra levar

1

Segundo Gomes, já existia escravidão na África antes do navio europeu, mas o comércio atlântico a transformou num sistema em larga escala, permanente e baseado em raça.

2

Para o autor, a morte na travessia do Atlântico não era acidente do sistema: era um custo calculado por comerciantes que sabiam quanta perda o negócio suportava.

3

Para o livro, Zumbi rompeu o acordo de paz que Ganga Zumba tinha fechado porque uma trégua que fechasse a porta pra novo fugido trairia o motivo de Palmares existir.

“
O leilão de pessoas escravizadas registrado por um cronista da corte, em Portugal, em 1444, já mostra a mesma engrenagem que se repetiu por quase quatro séculos: gente virando mercadoria com preço marcado.
Uma ideia de Escravidão – Volume I: Do Primeiro Leilão de Cativos em Portugal até a Morte de Zumbi dos Palmares, nas palavras do 15 minutos

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O leilão que abre o livro: Lagos, 1444

Gomes começa o livro não no Brasil, mas num cais em Portugal, na cidade de Lagos, no ano de 1444. Ali, um grupo de pessoas trazidas à força do litoral africano é colocado em leilão diante da corte e da população local. Quem registra a cena é o cronista Gomes Eanes de Zurara, funcionário da coroa portuguesa, cuja descrição virou uma das primeiras narrativas escritas sobre esse tipo de comércio rumo à Europa.

O autor escolhe essa cena como ponto de partida porque ali nasce, de uma vez, o mecanismo que vai se repetir por quase quatro séculos: gente sequestrada, separada da família, tratada como mercadoria e vendida ao maior lance. Zurara descreve choro e súplica na hora da venda, mas também tenta justificar o ato como um bem espiritual, argumento que a Igreja e a coroa repetem sempre que precisam legitimar o negócio.

A África antes do navio negreiro

O livro insiste em deixar claro que a escravidão não chegou à África com o navio português. Sociedades africanas já escravizavam prisioneiro de guerra, devedor e pessoa condenada por crime muito antes do primeiro europeu desembarcar na costa. Essa escravidão interna, na maioria dos casos, tinha limite: podia ser temporária e não cortava por completo o vínculo da pessoa com a própria terra e a própria língua.

O comércio atlântico transforma essa prática local numa cadeia voltada pra fora, em larga escala, permanente e baseada em raça. Reinos e comerciantes africanos que já lidavam com prisioneiro de guerra passam a vender parte dessas pessoas pra intermediário europeu, em troca de tecido, arma de fogo e outros bens. Gomes é cuidadoso ao mostrar isso sem tirar a responsabilidade europeia nem tratar o continente inteiro como plateia passiva.

Reinos que viraram parte do negócio

O livro mapeia os reinos africanos que entraram no comércio, cada um com lógica própria de poder. O Congo, na África Central, chega a manter relação diplomática formal com Portugal, trocando carta e enviando representante à corte europeia, ao mesmo tempo em que fornece gente pro mercado atlântico.

Mais ao sul, o reino de Ndongo, na região que hoje é Angola, vira um dos maiores fornecedores do tráfico rumo ao Brasil, em meio a guerra constante com os portugueses da costa. Do outro lado do continente, Daomé e Benim constroem parte da própria economia política em torno da captura e venda de prisioneiro, usando rota comercial interna que já existia havia séculos.

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Sobre Laurentino Gomes

Laurentino Gomes é jornalista brasileiro, com carreira em redações antes de se dedicar a livros de história em formato de reportagem. Depois de fechar a trilogia sobre a formação do Brasil moderno, formada por 1808, 1822 e 1889, ele viajou por países africanos e por várias regiões do Brasil pra pesquisar uma nova trilogia dedicada à história da escravidão, da qual este livro é o primeiro volume, publicado em 2019. Seus livros já venceram o prêmio Jabuti e somam milhões de exemplares vendidos, o que faz dele uma referência em levar pesquisa histórica pro leitor que não é acadêmico. Gomes não tem formação acadêmica em história, e é esse olhar de repórter, mais focado em cena e personagem do que em teoria, que marca o jeito como ele narra o tráfico de pessoas escravizadas.