Um bispo de quarenta e seis anos revirando a própria juventude
Confissões foi escrito por Agostinho já bispo de Hipona, cidade no norte da África, por volta do ano 397. É um livro estranho de classificar: não é bem uma autobiografia como a gente conhece hoje, porque o texto inteiro é escrito como se fosse uma conversa direta com Deus, contando uma vida cheia de erro, ambição e volta por cima. Por isso costuma ser chamado de primeira autobiografia do Ocidente no sentido moderno.
Seguindo o costume da época, o menino Agostinho virou catecúmeno ainda pequeno: a mãe já tinha marcado ele com o sinal de quem se prepara pra entrar na fé, mas sem batizar de verdade. Batismo, naquele tempo, podia esperar: vive a vida, erra o que tiver que errar, e batiza depois. Foi exatamente isso que Agostinho fez, só que levou décadas.
O livro tem treze partes. As nove primeiras contam a vida dele até a conversão e a morte da mãe. As quatro últimas viram reflexão filosófica sobre memória, tempo e a criação do mundo. Esse resumo foca na história, mas passa também pelas ideias mais famosas da segunda metade.
