15 minutos
Capa do resumo de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Espiritualidade · 15 min

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Allan Kardec · 1864

Para quem é

Pra quem já se considera cristão e quer uma leitura mais racional da moral dos Evangelhos, e pra quem segue a doutrina espírita e busca aprofundar justamente a parte de caridade e perdão dela. Serve também pra quem gosta de filosofia moral e não se importa em ler um argumento religioso com espírito crítico.

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3 ideias pra levar

1

Para o livro, encarar uma fase difícil com paciência pode virar aprendizado, mas isso não substitui buscar ajuda médica ou profissional quando ela é necessária.

2

A prece, do jeito que o livro descreve, serve pra organizar a vontade de fazer o bem, não pra encomendar um resultado específico da vida.

3

Pro livro, avançar moralmente é questão de esforço constante, não de sorte ou de nascença.

“
Perdoar uma falha alheia sem fazer alarde vale mais, pro livro, do que qualquer esmola feita pra ser vista.
Uma ideia de O Evangelho Segundo o Espiritismo, nas palavras do 15 minutos

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Um evangelho comentado, não um evangelho novo

Quando Allan Kardec escreveu este livro, em 1864, ele já tinha começado a codificação da doutrina espírita com um título anterior. Aqui a proposta muda: em vez de organizar perguntas e respostas sobre o além, ele pega os quatro Evangelhos e separa só as passagens morais de Jesus, deixando de fora milagres e trechos que, segundo ele, exigem fé cega demais pra quem quer pensar com a razão. O resultado não é um evangelho novo, é uma leitura comentada do que já existia.

O público que o livro declara mirar também chama atenção: não é escrito pra converter quem não acredita em nada, e sim pra quem já se considera cristão e quer entender a moral dos Evangelhos sem contradizer a razão, ou pra quem já segue a doutrina espírita e busca uma leitura ecumênica que dialogue com o cristianismo aprendido em casa.

É como aquela pessoa que vai à missa aos domingos e, durante a semana, lê um livro de espiritualidade tentando juntar a fé que herdou da família com uma explicação que faça sentido pra cabeça de hoje. O livro se propõe exatamente a essa ponte, sem pedir pra ninguém abandonar a igreja que frequenta.

Fora da caridade não há salvação

Esta é talvez a frase mais repetida do livro, e vale entender o que ela quer dizer de verdade. Caridade aqui não é só dar esmola: o livro descreve caridade como benevolência com todo mundo, indulgência com as falhas dos outros e a regra simples de não fazer com ninguém o que você não gostaria que fizessem com você.

Um exemplo do dia a dia ajuda a enxergar isso: quem xinga o motorista do ônibus por atrasar cinco minutos, mas se ofende quando é cobrado por um erro pequeno no trabalho, está exatamente no ponto que o livro pede pra rever. A régua de cobrança que usamos pros outros costuma ser mais dura do que a que usamos pra nós mesmos.

O livro também adverte contra a ostentação: fazer caridade pra aparecer nas redes ou pra ser elogiado tira uma parte do valor moral do gesto, porque o foco deixa de ser ajudar e passa a ser ser visto ajudando. Segundo essa leitura, o gesto discreto vale mais do que o gesto público.

Amar os inimigos: perdão como escolha prática

O livro não trata amar os inimigos como um feito heroico e sobre-humano. Na leitura que ele propõe, ligada à ideia de reencarnação, um inimigo de hoje pode ter sido alguém próximo em outra existência, e o rancor que você carrega contra ele só atrasa o seu próprio caminho, não o da outra pessoa.

Pense num colega de trabalho que passou a perna numa promoção que era sua por direito. Segundo o livro, guardar ódio contra essa pessoa não desfaz o que aconteceu, só ocupa espaço na sua cabeça todo santo dia. Perdoar, nessa leitura, é menos sobre a outra pessoa e mais sobre livrar você mesmo desse peso.

É importante marcar uma diferença que o livro não deixa clara: perdoar não é sinônimo de aceitar continuar sendo maltratado. Dá pra perdoar um chefe abusivo e, ainda assim, procurar outro emprego; as duas coisas não se cancelam.

Faltam 11 seções e o quiz

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Sobre Allan Kardec

Allan Kardec é o pseudônimo do educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon em 1804 e morto em Paris em 1869. Antes de se dedicar ao estudo dos fenômenos espíritas, formou-se em pedagogia na Suíça, sob influência do método de Johann Heinrich Pestalozzi, e chegou a fundar escolas e escrever livros didáticos. A partir da década de 1850, passou a organizar de forma sistemática o que chamou de doutrina espírita, publicando cinco obras consideradas a base da codificação, entre elas este livro, o terceiro da série. Também fundou, em 1858, a Revista Espírita e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Paris.

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Categoria:
Espiritualidade