O problema que dá nome ao livro
Imagine a cena: sala de espera de hospital, alguém perguntando baixinho por que Deus deixa a mãe sofrer daquele jeito, com todo o poder que teria pra evitar aquilo. Essa pergunta é velha, mas C.S. Lewis decidiu enfrentá-la de frente num livro pequeno, publicado em 1940, no meio dos bombardeios da Segunda Guerra sobre Londres.
O quebra-cabeça que ele monta é simples: se Deus é bom, quereria que as criaturas fossem felizes; se é todo-poderoso, poderia garantir isso sem esforço. Só que o mundo está cheio de dor, então uma das três coisas parece sobrar. Esse quebra-cabeça tem nome técnico entre filósofos, teodiceia, e o livro inteiro tenta mostrar que dá pra sustentar as três pontas sem contradição.
Vale um aviso do próprio autor logo na abertura: ele escreve um argumento racional, um exercício de apologética religiosa, não um discurso de consolo pra quem está sofrendo agora. Uma explicação lógica bem construída não seca lágrima de ninguém no momento da dor, e não é essa a proposta do livro.
