15 minutos
Capa do resumo de O Profeta

Espiritualidade · 15 min

O Profeta

Khalil Gibran · 1923

Para quem é

Para quem gosta de parar pra pensar em passagens grandes da vida, amor, trabalho, luto, sem depender de uma religião específica pra isso. Serve também pra quem já ouviu um trecho de O Profeta em casamento ou velório e quer entender o livro inteiro por trás daquela frase avulsa.

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3 ideias pra levar

1

Para o autor, criar um filho pra realizar o sonho que você não realizou é confundir amor de pai com projeto pessoal adiado.

2

Segundo Gibran, trabalho que carrega alguma utilidade real pra outra pessoa continua tendo sentido até quando a tarefa em si não empolga.

3

No livro, Almustafá sugere que boa parte do que chamamos de falta de liberdade é corrente que a própria pessoa forjou pra si mesma.

“
Para Gibran, um casamento que exige fusão total o tempo inteiro pesa mais do que aceitar, sem culpa, o espaço de cada um dentro da relação.
Uma ideia de O Profeta, nas palavras do 15 minutos

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O profeta que esperava o navio

O Profeta conta a história de Almustafá, um homem que viveu doze anos na cidade fictícia de Orphalese, longe de onde nasceu. Chegou ali como estrangeiro e passou a ser ouvido como uma espécie de sábio da cidade. No início da história, ele avista no horizonte o navio que veio buscá-lo pra levá-lo de volta pra casa.

Antes de embarcar, Almitra, descrita como vidente, foi a primeira pessoa da cidade a reconhecer nele algo diferente quando ele chegou, doze anos antes. É ela quem pede que Almustafá fale ao povo antes de partir, e esse pedido abre a estrutura do livro: a multidão se reúne, e cada pessoa pergunta sobre um tema da vida.

Essa moldura simples dá unidade a um livro que, na prática, é uma sequência de respostas poéticas quase independentes entre si. A cena de despedida empresta urgência ao conjunto: um homem de partida tenta condensar tudo o que aprendeu sobre viver numa única tarde.

Amor: a foice que também poda

Sobre o amor, Almustafá deixa claro que não é escolha tranquila: quando ele acena, você vai atrás, mesmo que o caminho seja íngreme. Gibran descreve o amor como uma força que debulha você feito trigo na eira, que bate e peneira, até separar casca de grão.

O amor, além de acolher, também expõe: coroa, mas também crucifica. Traz alegria e a dor de se abrir pra outra pessoa sem os disfarces do dia a dia. Quem busca só a parte confortável do amor devia procurar outra coisa, porque o amor completo cobra as duas faces.

No fim, Almustafá diz que o amor não pede nada além de si mesmo pra se completar. Numa comparação brasileira, seria amar alguém não porque isso resolve a solidão, mas porque a pessoa em si já é o motivo inteiro.

Casamento: duas colunas, um só teto

A resposta de Almustafá sobre casamento ainda é lida em cerimônias pelo Brasil afora: os dois devem ficar juntos, mas deixando espaço entre si, como as colunas de um templo que sustentam o mesmo teto sem se encostar.

A imagem se repete: encham a taça um do outro, mas não bebam da mesma taça; deem pão um ao outro, mas não do mesmo pedaço; dancem juntos, mas deixem cada um seus momentos sozinho, como cordas de um instrumento que tocam junto sem se tocar.

O recado prático é direto: amor que vira fusão total sufoca com o tempo. É o mesmo argumento por trás de um casal que mantém o próprio grupo de amigos ou o próprio horário de academia mesmo casado: a proximidade que dura respeita alguma distância.

Faltam 13 seções e o quiz

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Sobre Khalil Gibran

Khalil Gibran nasceu em 1883 na aldeia de Bsharri, no Líbano, e emigrou ainda criança para os Estados Unidos, crescendo no bairro libanês de Boston. Além de escritor, foi pintor e ilustrador, e viveu boa parte da vida adulta em Nova York, ligado a um círculo de escritores árabe-americanos que publicavam tanto em árabe quanto em inglês. O Profeta, lançado em 1923, tornou-se seu livro mais vendido e um dos mais reimpressos do século vinte. Gibran morreu em 1931, aos 48 anos, em Nova York, de problemas no fígado.

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Categoria:
Espiritualidade