Um funeral com nove reis e um mundo prestes a acabar
Maio de 1910, Londres. O rei Eduardo VII morre e o funeral reúne, numa única cerimônia, praticamente toda a realeza da Europa: nove reis a cavalo atrás do caixão, entre eles o Kaiser Guilherme II, primo do falecido. Barbara Tuchman abre o livro com essa cena porque ela resume um mundo que ainda não sabia que estava com os dias contados, uma Europa de primos reais e a sensação de que guerra grande entre potências europeias era coisa do passado.
É quase um recurso de roteirista: comparar aquele cortejo cheio de certezas com o caos que viria só quatro anos depois. Pense num casamento de família, todo mundo de terno, sorrindo pra foto, sem imaginar que em pouco tempo metade dali vai brigar feio e nunca mais se falar direito. Esse contraste entre a pompa de 1910 e a destruição de 1914 prepara o leitor pro tamanho da queda que vinha por trás da cerimônia elegante, com tensões antigas de rivalidade e de colônia que nenhuma coroa resolvia sozinha.
