15 minutos
Capa do resumo de A terra inabitável

Ciência · 15 min

A terra inabitável

David Wallace-Wells · 2019

Para quem é

Pra quem quer entender, sem jargão, os riscos do aquecimento global para comida, saúde, cidades e economia, e discutir o assunto com informação. Serve também para quem já acompanha o tema e quer um panorama dos piores cenários.

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3 ideias pra levar

1

Para o livro, o aquecimento deixou de ser assunto distante: já mexe com comida, saúde e preço no mercado.

2

Chamar tudo de desastre natural esconde que enchentes e secas ficam mais intensas pela ação humana.

3

Entre o fatalismo e a negação existe um caminho prático: cortar emissões e adaptar as cidades enquanto ainda há margem.

“
Cada fração de grau evitada poupa vidas, comida e dinheiro que depois não precisam ser salvos.
Uma ideia de A terra inabitável, nas palavras do 15 minutos

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Um livro escrito para assustar

David Wallace-Wells não esconde a intenção: A terra inabitável quer provocar medo. A origem é um artigo de 2017 em uma revista americana, que viralizou por descrever, sem rodeios, os piores cenários do aquecimento global. O livro, de 2019, expande esse texto com ciência, entrevistas e história.

A tese dele é que o debate público sobre o clima passou anos suavizado, falando de gelo derretendo e ursos-polares, enquanto os efeitos mais próximos da vida humana ficavam em segundo plano. Em vez de apresentar média e tendência, o autor mostra o que pode acontecer com comida, saúde, cidades e economia.

A leitura é pesada e, por isso mesmo, serve de teste: se o medo vira paralisia ou impulso. Os próprios capítulos afirmam que o futuro não está escrito. O que o livro descreve é uma faixa de possibilidades, que depende de quanto carbono ainda será lançado na atmosfera nas próximas décadas.

Vale registrar o estilo do autor: frases longas, listas de estudos e um tom de quem quer ser lido por não especialistas. Ele alterna dados, histórias de pessoas atingidas e comentários sobre como cada um de nós reage ao assunto, o que torna a leitura densa, mas acessível a quem acompanha o noticiário.

Onde estamos: pouco tempo, muito carbono

O ponto de partida são números básicos. Desde a era pré-industrial, o planeta esquentou cerca de um grau Celsius, e o acordo de Paris de 2015 tenta manter o aumento abaixo de dois graus. Parece pouco, mas a diferença entre um mundo de um e de dois graus é enorme para as pessoas.

O autor insiste num fato desconfortável: grande parte do carbono já despejado pela humanidade foi emitida nas últimas décadas, depois de a ciência já conhecer o problema. Ou seja, o dano não é só herança de um passado distante, mas de uma geração que sabia e continuou queimando combustíveis fósseis.

As promessas dos países, se cumpridas, ainda levariam o mundo a algo perto de três graus no fim do século, e muitas não são cumpridas. Por isso o livro trata o intervalo entre as metas e a realidade como o verdadeiro assunto, e cada décimo de grau evitado como vida e dinheiro poupados.

Morte pelo calor

O primeiro capítulo trata do calor extremo. O corpo humano só suporta certa combinação de temperatura e umidade, e acima dela o suor deixa de resfriar a pele. Em regiões úmidas, essas condições podem se tornar mais comuns no futuro, e mesmo pessoas saudáveis correm risco em poucas horas.

Ondas de calor já matam. A Europa viveu episódios com dezenas de milhares de mortes em verões recentes, e cidades do sul da Ásia registram temperaturas que desafiam o trabalho ao ar livre. Quem mais sofre é quem não tem ar condicionado, nem sombra, nem folga: trabalhadores braçais, idosos, moradores de casas apertadas.

No Brasil, a leitura é imediata: o ônibus lotado em dia de quarenta graus, a obra sem pausa, o idoso sozinho no apartamento. O livro lembra que calor é desigualdade, porque a mesma temperatura é inconveniência para uns e ameaça de morte para outros.

Faltam 10 seções e o quiz

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Sobre David Wallace-Wells

David Wallace-Wells é um jornalista americano. Ficou conhecido por um artigo de 2017 na revista New York, sobre os cenários extremos do aquecimento global, que foi um dos textos mais lidos da história da publicação. Atuou como editor na revista e depois escreveu como colunista de opinião no The New York Times. A terra inabitável saiu em 2019 e ampliou o tema do artigo.

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Categoria:
Ciência