15 minutos
Capa do resumo de A Cidade do Sol

Ficção · 15 min

A Cidade do Sol

Khaled Hosseini · 2007

Para quem é

Pra quem gosta de romance que emociona e quer entender, por meio de duas personagens, como a guerra e o poder de regimes extremistas atingem a vida das mulheres. Aviso: tem cenas intensas de violência doméstica e de guerra.

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3 ideias pra levar

1

Uma amizade de infância pode ser o primeiro lugar onde alguém descobre que vale alguma coisa, e essa memória segura a pessoa por anos de dureza.

2

A história mostra que regras que apagam as mulheres do espaço público chegam também à saúde, à renda, à escola e à segurança dentro de casa.

3

Uma mentira dita no pior momento de fragilidade pode decidir anos da vida de alguém, e por isso uma notícia grave pede mais de uma fonte.

“
Esperar na porta de quem não quer te receber custa mais caro do que a resposta que ele poderia dar.
Uma ideia de A Cidade do Sol, nas palavras do 15 minutos

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Um romance sobre mulheres numa terra em guerra

A Cidade do Sol foi publicado em 2007 por Khaled Hosseini, o mesmo autor de O Caçador de Pipas. O título vem de um poema persa do século XVII que elogia Cabul, descrevendo uma cidade tão bela que mil sóis esplêndidos se escondem atrás de seus muros. O livro faz um contraste doloroso entre essa beleza imaginada e a realidade das protagonistas.

A história cobre cerca de trinta anos do Afeganistão, de meados dos anos 1970 até os primeiros anos depois de 2001, passando pelo golpe, pela invasão soviética, pela guerra civil, pelo domínio do Talibã e pela queda do regime. Tudo é visto por duas mulheres de gerações diferentes, que jamais se encontrariam fora dessas circunstâncias.

É uma leitura pesada, com cenas de violência doméstica e de guerra. Se você está num momento delicado, vale ler com cuidado e em doses pequenas.

Mariam, a filha que não devia existir

A primeira protagonista é Mariam, nascida por volta de 1959 perto de Herat, no oeste do Afeganistão. É filha de Nana, uma empregada, e de Jalil, um homem rico, dono do cinema da cidade, que tem três esposas e muitos filhos legítimos. Por ser fruto de uma relação fora do casamento, ela é chamada de harami, bastarda, e carrega o estigma dessa palavra a vida toda.

Mariam mora com a mãe num casebre isolado, na beira de uma colina, e Nana repete que o mundo é cruel com as mulheres e que a única força delas é aguentar. Mesmo assim, Mariam adora as quintas-feiras, quando Jalil a visita, traz presentes e conta histórias. Ela quer acreditar que é amada, ainda que o pai nunca a leve para a casa grande.

É uma dor que muita gente reconhece: a criança que idealiza o pai ausente porque precisa dele, enquanto a mãe, ferida, vira a figura dura e amarga. O livro mostra como essa disputa vai moldar a vida inteira da menina.

O dia em que o pai não abriu a porta

No aniversário de quinze anos, Mariam pede ao pai que a leve ao cinema dele. Jalil enrola, adia, e ela decide ir sozinha até a cidade. Passa a noite na calçada diante da casa dele, esperando ser recebida. Quem aparece é um empregado do pai, que a leva de volta, sem que Jalil saia para vê-la.

Quando chega, encontra a mãe morta: Nana, desesperada com a ideia de ser abandonada pela filha, tirou a própria vida. Mariam passa a carregar a culpa de ter saído e a de ter acreditado no pai. É um dos momentos mais duros do livro e explica boa parte de como ela vai tratar a si mesma dali em diante.

Pense em quem já ficou horas na porta de alguém esperando um sinal e voltou sem nada. Dói mais do que uma resposta franca. Hosseini transforma essa porta fechada em símbolo: o lugar onde a menina descobre que o amor que esperava vinha em doses pequenas e condicionais.

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Sobre Khaled Hosseini

Khaled Hosseini nasceu em Cabul, em 1965, filho de um diplomata afegão. A família se mudou para a França em 1976 e, depois da invasão soviética, pediu asilo nos Estados Unidos, em 1980. Formou-se em medicina e exerceu a profissão antes de se dedicar à escrita. Estreou como romancista com O Caçador de Pipas, em 2003, e depois publicou A Cidade do Sol, em 2007, e E as Montanhas Ecoaram, em 2013.

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Categoria:
Ficção