Uma manhã sem café
A história começa com um golpe seco: Josef K., alto funcionário de um banco, solteiro, de vida arrumada, acorda no dia em que faz trinta anos e percebe que a cozinheira da pensão não trouxe o café. Em vez dela, entra um desconhecido de uniforme, que declara que ele está preso.
K. pergunta de quê. Ninguém responde. Os homens dizem que não foram eles que decidiram, que só cumprem ordens e que as autoridades não erram quando procuram culpados. Tomam o café dele, mexem na roupa, ficam de olho na cama e na mesa, como se o quarto já fosse um território de inspeção.
É a imagem que resume o livro: uma pessoa comum, de conduta correta pelos próprios padrões, de repente dentro de um processo cujas regras ninguém explica. O primeiro choque não é violência, é falta de informação. Hoje seria como receber uma mensagem dizendo que o seu CPF tem pendência, sem dizer qual.
