A fábula dos bichos que sentem frio
A imagem que dá nome ao livro vem do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Num dia de inverno rigoroso, um grupo de porcos-espinhos se aproxima para dividir o calor e não morrer de frio. Quando ficam muito perto, os espinhos machucam. Quando se afastam, o frio volta. O ponto de partida é uma cena simples, mas serve de espelho para muitas situações do cotidiano brasileiro, do ônibus lotado ao grupo de família.
Depois de várias tentativas, descobrem uma distância média, na qual o calor é suportável e as picadas, toleráveis. Essa distância, na versão do filósofo, é o que a convivência humana chama de boas maneiras e de regras sociais.
O livro usa essa fábula como fio condutor. A pergunta que atravessa tudo é como ficar perto o bastante pra não congelar de solidão e longe o bastante pra não ferir nem ser ferido.
