15 minutos
Capa do resumo de O despertar de tudo: uma nova história da humanidade

História · 15 min

O despertar de tudo: uma nova história da humanidade

David Graeber e David Wengrow · 2021

Para quem é

Pra quem já ouviu que desigualdade e hierarquia são o destino natural de qualquer sociedade e quer conhecer a leitura que desafia essa ideia. Também serve a quem gosta de história, arqueologia e política contadas de forma provocadora.

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3 ideias pra levar

1

Para os autores, ideias de liberdade e igualdade que atribuímos ao Iluminismo europeu foram alimentadas por críticas feitas por pensadores indígenas da América.

2

Segundo o livro, cidade grande não exige rei: há indícios de assentamentos com milhares de moradores sem sinais de palácio ou de governo central.

3

O livro mede uma sociedade por três liberdades, a de sair, a de desobedecer e a de propor outro arranjo, e não apenas pela renda.

“
Quem acha que só existem dois destinos, o paraíso perdido ou a guerra de todos, está escolhendo entre duas lendas.
Uma ideia de O despertar de tudo: uma nova história da humanidade, nas palavras do 15 minutos

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A história que todo mundo aprendeu

Quase todo mundo ouviu a mesma versão da pré-história. No começo, pequenos bandos de caçadores-coletores andavam pela natureza, todos iguais, sem dono de nada. Depois veio a agricultura, a gente se fixou, sobrou comida, apareceu a propriedade, e com ela as cidades, os chefes, os reis e as desigualdades.

Essa narrativa carrega um recado escondido: quanto maior e mais complexa a sociedade, mais hierarquia e mais desigualdade seriam o preço inevitável. Quando alguém diz que sempre houve chefe e sempre vai haver, seja no trabalho, no condomínio ou no governo, é essa história falando por trás.

O despertar de tudo, de David Graeber e David Wengrow, lançado em 2021, nasce para desmontar esse roteiro. O livro junta décadas de achados da arqueologia e da antropologia para sustentar que a humanidade experimentou muito mais formas de viver junto do que o roteiro admite.

Por que os autores desconfiam do roteiro

O primeiro incômodo dos autores é de método. O roteiro clássico foi montado em boa parte por filósofos e pensadores dos séculos dezessete e dezoito, que especulavam sobre o estado de natureza sem ter escavado nada. Depois, os achados arqueológicos foram encaixados à força nessa moldura.

Hoje há dados demais para caber nela: monumentos feitos por gente que não plantava, cidades sem sinal de rei, povos que viravam a chave política de uma estação para outra. Segundo o livro, quando um dado não cabe na história padrão, ele costuma ser tratado como exceção curiosa, e não como pista de que a história padrão pode estar errada.

Por isso a obra troca a pergunta. Em vez de perguntar como surgiu a desigualdade, que já presume que ela era destino, os autores perguntam como ficamos presos a ela. A diferença parece sutil, mas muda tudo: tira a desigualdade do papel de lei natural e a coloca como resultado de escolhas, acidentes e disputas.

Rousseau, Hobbes e o falso dilema

A história padrão tem dois sabores. No primeiro, ligado a Thomas Hobbes, a vida antes do Estado era uma guerra de todos contra todos, e a civilização veio nos salvar. No segundo, ligado a Jean-Jacques Rousseau, éramos inocentes e iguais, e a civilização estragou tudo. Um é pessimista, o outro é nostálgico.

Os autores apontam que os dois sabores partilham a mesma estrutura: um estado original simples, seguido de uma queda ou de uma subida inevitável. Em ambos, nossos antepassados aparecem como gente sem imaginação política, que apenas reage ao ambiente.

O livro propõe tratar os humanos antigos como adultos pensantes, capazes de debater, testar e descartar formas de organização. Essa mudança de olhar vale mais do que qualquer sítio arqueológico isolado, porque é ela que permite ler os achados de outro jeito.

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Sobre David Graeber e David Wengrow

David Graeber foi um antropólogo americano, professor na London School of Economics, autor de Dívida e de Bullshit Jobs. Ficou conhecido também por sua ligação com o movimento Occupy Wall Street. David Wengrow é um arqueólogo britânico, professor de arqueologia comparada no University College London. Graeber morreu em 2020, e o livro, publicado em 2021, saiu logo depois.

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Categoria:
História