Um dogma de cem anos que caiu
Durante mais de cem anos, escolas de medicina ensinaram que o cérebro adulto era como uma máquina pronta: os circuitos se formavam na infância e, depois disso, só restava manutenção. Se uma área morresse num derrame, essa função ficava perdida para sempre. Essa ideia, chamada de cérebro localizacionista, virou dogma, repetida em livro texto atrás de livro texto, e qualquer médico que discordasse era visto como charlatão.
Norman Doidge, psiquiatra e psicanalista canadense, ligado à Universidade de Toronto e à Universidade Columbia, passou anos visitando cientistas e pacientes que contrariavam esse dogma na prática. O livro nasce dessas visitas: é o relato de quem viu de perto gente recuperando função que a medicina tinha dado como perdida.
O nome que dá título ao livro é neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de mudar sua própria estrutura física, criando conexões novas, fortalecendo caminhos usados e enfraquecendo os abandonados, em qualquer idade. Não é força de vontade abstrata: é o próprio tecido do cérebro se remodelando, algo que exame de imagem hoje consegue registrar.
