A mulher que perdeu o faro
Você conhece alguém assim, ou já foi assim: a mulher que acorda cedo, cuida dos filhos, do pai idoso, do marido, do trabalho e do grupo da igreja, e chega ao fim do dia sem saber do que gosta. Ela ainda sorri, ainda dá conta de tudo, mas sente por dentro uma espécie de silêncio estranho, como se alguma parte sua tivesse ficado pra trás.
É dessa sensação que parte o livro de Clarissa Pinkola Estés. A tese é que muitas mulheres foram ensinadas a se adaptar tanto aos outros que acabaram perdendo contato com a própria natureza instintiva. A autora dá a essa parte esquecida o nome de mulher selvagem.
Selvagem aqui não quer dizer grosseira ou descontrolada. Quer dizer natural, intuitiva, ligada ao que é vivo em você. O livro é uma tentativa de ajudar a reencontrar essa parte por meio de histórias antigas, que a autora reconta e comenta com olhar de psicanalista.
