Por que o livro prefere olhar pro pequeno desvio
Quando um escândalo estoura, a gente corre atrás do vilão: o executivo ganancioso, o político safado, o fiscal que aceitou propina. Dan Ariely propõe outro olhar. Pra ele, o estrago maior não vem dos grandes golpistas, e sim de muita gente comum fazendo pequenos desvios que ninguém chama de crime.
Pense no dia a dia: o troco que veio a mais e você ficou quieto, o 'gato' de sinal de TV, a nota fiscal que ficou de fora pra pagar mais barato, o atestado meio forçado pra emendar o feriado. Cada caso parece nada. Somados, em milhões de pessoas, pesam bem mais do que um grande golpe isolado.
Por isso o livro funciona ao mesmo tempo como pesquisa e como espelho. A pergunta não é 'por que os outros são desonestos', e sim 'por que eu, que me considero honesto, trapaceio um pouquinho e continuo dormindo bem'. É essa pergunta que organiza tudo que vem a seguir, capítulo por capítulo.
