15 minutos
Capa do resumo de A (Honesta) Verdade sobre a Desonestidade

Psicologia · 15 min

A (Honesta) Verdade sobre a Desonestidade

Dan Ariely · 2012

Para quem é

Pra quem acha que desonestidade é coisa de gente má e quer entender, com exemplos do cotidiano, por que pessoas comuns trapaceiam um pouco e continuam se achando honestas. Serve também a quem lidera equipes e quer pensar em prevenção sem cair só na punição.

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3 ideias pra levar

1

Em vez de caçar o grande vilão, vale olhar pro pequeno desvio repetido por muita gente: somado, ele pode custar mais do que o golpe famoso.

2

Depois do primeiro deslize, o perigo é entrar no modo 'já que errei, vou até o fim'. Interromper o ciclo cedo costuma ser mais barato do que consertar depois.

3

Em vários experimentos do livro, o comportamento do grupo de referência pesou mais do que a punição prevista.

“
A maioria de nós trapaceia só até o ponto em que ainda consegue se olhar no espelho sem desconforto.
Uma ideia de A (Honesta) Verdade sobre a Desonestidade, nas palavras do 15 minutos

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Por que o livro prefere olhar pro pequeno desvio

Quando um escândalo estoura, a gente corre atrás do vilão: o executivo ganancioso, o político safado, o fiscal que aceitou propina. Dan Ariely propõe outro olhar. Pra ele, o estrago maior não vem dos grandes golpistas, e sim de muita gente comum fazendo pequenos desvios que ninguém chama de crime.

Pense no dia a dia: o troco que veio a mais e você ficou quieto, o 'gato' de sinal de TV, a nota fiscal que ficou de fora pra pagar mais barato, o atestado meio forçado pra emendar o feriado. Cada caso parece nada. Somados, em milhões de pessoas, pesam bem mais do que um grande golpe isolado.

Por isso o livro funciona ao mesmo tempo como pesquisa e como espelho. A pergunta não é 'por que os outros são desonestos', e sim 'por que eu, que me considero honesto, trapaceio um pouquinho e continuo dormindo bem'. É essa pergunta que organiza tudo que vem a seguir, capítulo por capítulo.

O modelo do criminoso que faz conta

O ponto de partida é uma ideia da economia: o modelo do crime racional, que o autor chama de SMORC, sigla em inglês. Segundo esse modelo, qualquer pessoa pesa três coisas antes de trapacear: quanto vai ganhar, qual a chance de ser pega e qual a punição se for pega.

Parece sensato e inspira muita política pública: mais fiscalização, multa maior, câmera em cada esquina. Se o modelo estivesse certo, bastaria aumentar o risco e diminuir o ganho que a trapaça sumiria. Quem sonega imposto, por exemplo, pararia no dia em que a multa doesse mais do que a economia.

O autor, um nome ligado à economia comportamental, desconfia dessa conta. Ele montou experimentos pra testar cada peça do modelo, uma de cada vez, e foi vendo que as pessoas se comportam de um jeito bem diferente do bandido calculista que a teoria imagina. O resultado é o que os capítulos seguintes apresentam.

A experiência das matrizes

A ferramenta principal dos estudos é uma tarefa simples. Os participantes recebem uma folha com vinte grupos de números e têm cinco minutos pra achar, em cada grupo, dois números que somem dez. Quanto mais grupos resolvem, mais dinheiro ganham. No fim, cada um confere a própria folha.

No grupo de controle, o pesquisador confere tudo e a média fica em torno de quatro acertos. Na versão em que o participante pode picotar a folha e só declarar o resultado, a média declarada sobe pra uns seis. Como ninguém sabe o desempenho real de cada pessoa, a diferença entre as médias revela o tamanho da trapaça.

O mais curioso é como ela se distribui. Quase ninguém inventou um resultado absurdo, tipo vinte de vinte. A maioria foi inflando um ou dois acertos. Poucos trapaceiros grandes não explicam o aumento: é muita gente fazendo um pouco, e cada uma delas achando que isso não conta.

Faltam 11 seções e o quiz

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Sobre Dan Ariely

Dan Ariely nasceu em 1967, em Nova York, e cresceu em Israel. Aos 18 anos sofreu queimaduras graves num acidente e passou muito tempo internado, vivência que ele associa ao seu interesse pelo comportamento humano. É professor de psicologia e economia comportamental na Universidade Duke, nos Estados Unidos, e antes lecionou no MIT. Também escreveu Previsivelmente Irracional, de 2008.

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Categoria:
Psicologia
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