15 minutos
Capa do resumo de Estruturas da Mente

Psicologia · 15 min

Estruturas da Mente

Howard Gardner · 1983

Para quem é

Pra você que já ouviu falar em inteligências múltiplas e quer entender de onde veio a ideia e quais são os seus limites. Também serve a pais e professores que querem enxergar talentos além da nota.

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3 ideias pra levar

1

O que vale como talento muda com o lugar: ler o mar e o vento pesa muito numa vila de pescadores.

2

Os talentos trabalham em combinação, e quase nenhuma profissão depende de um só deles.

3

Conhecer as próprias forças ajuda a escolher caminhos, mas não decide carreira nem prevê sucesso.

“
Se a escola premiasse corpo, música e convivência, o mapa de quem é bom aluno seria outro.
Uma ideia de Estruturas da Mente, nas palavras do 15 minutos

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A pergunta que o QI não responde

Durante boa parte do século vinte, ser inteligente significava tirar uma boa nota num teste de QI. Howard Gardner olha para esse hábito e pergunta: será que uma única medida dá conta de um violonista, de um jogador de futebol, de uma enfermeira atenta ou de um engenheiro de obra?

Em Estruturas da Mente, ele propõe que a mente humana não é uma peça única, mas um conjunto de capacidades relativamente independentes. Cada pessoa teria um perfil próprio, com pontos fortes aqui e dificuldades ali, em vez de uma nota geral que a classificaria.

A ideia incomodou o meio acadêmico e encantou educadores. Ela dá nome a algo que muita gente já sentia: o aluno que vai mal em prova, mas desenha como poucos, ou o adulto que fala mal em público, mas é a pessoa a quem todo mundo recorre quando o clima pesa.

Gardner chegou a essa proposta depois de estudar tanto crianças quanto adultos que sofreram lesões no cérebro. Ele notou que alguém podia perder a fala e continuar compondo música, ou o contrário. Essas dissociações o convenceram de que a mente tem módulos que se organizam de modo independente.

O que conta como inteligência

Gardner define inteligência como a capacidade de resolver problemas ou criar produtos que tenham valor em pelo menos um ambiente cultural. A definição é mais ampla que a do teste de papel e lápis, e inclui o que se faz com as mãos, o corpo, os sons e as pessoas.

A palavra cultura é importante. O que vale como talento depende do lugar: numa comunidade de pescadores, saber ler o mar e o vento é um problema complexo que exige grande inteligência. Numa cidade grande, entender o metrô e as relações do escritório ocupa esse espaço.

Isso não quer dizer que tudo seja inteligência. O autor impõe critérios para decidir o que entra no grupo, justamente para não virar um balaio de qualquer habilidade. É essa rigidez que o diferencia de listas informais de talentos.

Na prática, a pergunta que o livro propõe a cada habilidade é: ela tem uma base própria no cérebro, uma trajetória própria no desenvolvimento e um papel reconhecido na cultura? Se a resposta for sim para tudo isso, ela se candidata ao título. Se não, é talento, interesse ou técnica.

Como ele escolheu quais entram

Para separar uma inteligência de um simples gosto ou habilidade isolada, Gardner usou um conjunto de sinais, tirados de áreas diferentes. Um deles é a possibilidade de uma capacidade ser afetada por lesão cerebral sem que as outras sejam. Outro é a existência de prodígios e de pessoas com dons extraordinários em uma área só.

Também contou a presença de operações mentais identificáveis, um desenvolvimento próprio ao longo da vida, uma história na evolução da espécie, apoio de experimentos de psicologia e de testes, e a possibilidade de ser expressa em algum sistema de símbolos, como a escrita, a notação musical ou os mapas.

O método é interessante porque reúne pistas de neurologia, antropologia e psicologia. O ponto polêmico é que o peso dado a cada sinal é decisão do autor, e não resultado de um teste que qualquer laboratório possa repetir com exatidão.

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Sobre Howard Gardner

Howard Gardner é psicólogo americano, nascido em 1943 na Pensilvânia. É professor da Escola de Educação da Universidade Harvard e esteve ligado ao Projeto Zero, grupo de pesquisa sobre cognição e arte. Estruturas da Mente, de 1983, apresentou a teoria das inteligências múltiplas e o tornou conhecido no mundo todo. Recebeu em 2011 o Prêmio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais.

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Categoria:
Psicologia
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