A pergunta que o QI não responde
Durante boa parte do século vinte, ser inteligente significava tirar uma boa nota num teste de QI. Howard Gardner olha para esse hábito e pergunta: será que uma única medida dá conta de um violonista, de um jogador de futebol, de uma enfermeira atenta ou de um engenheiro de obra?
Em Estruturas da Mente, ele propõe que a mente humana não é uma peça única, mas um conjunto de capacidades relativamente independentes. Cada pessoa teria um perfil próprio, com pontos fortes aqui e dificuldades ali, em vez de uma nota geral que a classificaria.
A ideia incomodou o meio acadêmico e encantou educadores. Ela dá nome a algo que muita gente já sentia: o aluno que vai mal em prova, mas desenha como poucos, ou o adulto que fala mal em público, mas é a pessoa a quem todo mundo recorre quando o clima pesa.
Gardner chegou a essa proposta depois de estudar tanto crianças quanto adultos que sofreram lesões no cérebro. Ele notou que alguém podia perder a fala e continuar compondo música, ou o contrário. Essas dissociações o convenceram de que a mente tem módulos que se organizam de modo independente.
