O que a psiquiatria chama de psicopatia
Quando a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva escreveu Mentes Perigosas, em 2008, ela tratou de tirar a palavra psicopatia do cinema e trazer para a vida real. Psicopatia não é um diagnóstico formal dos manuais de psiquiatria; o mais próximo que existe lá dentro é o transtorno de personalidade antissocial, um padrão duradouro de desrespeito pelas regras e pelos direitos dos outros que aparece desde cedo na vida da pessoa.
Isso importa porque muita gente usa a palavra psicopata como sinônimo de monstro, alguém isolado, estranho, fácil de identificar de longe. O livro mostra o oposto: o traço central não é a violência, é a ausência de dois sentimentos que a maioria das pessoas dá como certos, a culpa e o remorso.
Sem esses dois freios internos, a pessoa consegue fazer escolhas que prejudicam os outros sem carregar o peso emocional que travaria qualquer um de nós antes de agir. É esse motor frio, não a faca ou a arma, que o livro coloca no centro da explicação.
