Um traço que sempre existiu, mas nunca teve nome
Antes desse livro, quem sentia tudo com mais intensidade só tinha rótulos prontos pra explicar isso: frescura, mimimi, fraqueza de nervo, gente fina demais pra esse mundo. Elaine Aron chegou com outra ideia: e se isso não fosse defeito de caráter, e sim um traço de temperamento, presente de nascença, do mesmo jeito que existe gente canhota ou gente com paladar mais apurado?
A estimativa que ela traz é que de 15% a 20% da população nasce com esse sistema nervoso mais reativo, mais atento a detalhe, mais fácil de saturar. Não é doença rara nem transtorno raro: é uma fatia grande de gente, provavelmente alguém da sua família, do seu trabalho ou até você mesmo lendo isso agora.
E o mais curioso: esse tipo de traço aparece também em outras espécies, de peixes a primatas, sempre dividindo o grupo entre indivíduos mais cautelosos, que observam antes de agir, e indivíduos mais arrojados, que testam primeiro e pensam depois. Aron sugere que essa divisão tem valor de sobrevivência para a espécie: quem observa mais enxerga perigo e oportunidade que o resto do grupo, apressado, deixa passar.
