Um porão de Stanford virado em cadeia
Em agosto de 1971, o psicólogo americano Philip Zimbardo transformou o porão do prédio de Psicologia da Universidade Stanford numa cadeia de mentirinha. Um grupo de rapazes saudáveis, sem problema psicológico registrado nem passagem pela polícia, foi dividido por sorteio entre guarda e prisioneiro. O estudo tinha prazo de duas semanas, e o objetivo era entender o que viver numa prisão faz com a cabeça de quem está dos dois lados das grades.
Os voluntários responderam a um anúncio de jornal que prometia quinze dólares por dia. Zimbardo descartou quem tinha sinal de instabilidade emocional e ficou com rapazes de classe média, a maioria universitário, considerados comuns e estáveis. Esse tipo de simulação ficou conhecido depois como paradigma da prisão de Stanford, repetido com variações por outros pesquisadores.
A moeda ao ar decidiu tudo: ninguém escolheu seu lado da grade, e essa aleatoriedade sustenta o argumento central do livro: se o comportamento mudasse de forma parecida dentro de cada grupo, a explicação não estaria na personalidade de cada rapaz, estaria na situação.
