O viés de negatividade herdado dos nossos ancestrais
A maioria das pessoas já passou pela experiência desconcertante de receber dez elogios carinhosos no trabalho e uma única crítica amarga de um colega, e passar a noite inteira em claro remoendo exclusivamente as palavras ásperas daquela crítica. Por mais que tentemos focar nas vitórias do dia a dia, a nossa mente parece atraída de forma magnética para os problemas, as ameaças e as falhas.
O neuropsicólogo Rick Hanson explica que essa tendência não é um defeito de caráter nem uma fraqueza psicológica pessoal, mas o resultado direto da seleção natural. O cérebro dos nossos antepassados nas savanas paleolíticas precisava lidar com dois tipos de estímulos fundamentais: as cenouras, que representavam recompensas vitais como comida, abrigo e parceiros, e os gravetos, que representavam perigos mortais como predadores famintos e inimigos violentos.
Se um caçador perdesse uma cenoura, ele ficava com fome, mas tinha uma nova chance de se alimentar no dia seguinte; contudo, se ele ignorasse o som de um graveto quebrando na relva e fosse atacado por um predador, ele perdia a vida. Assim, a evolução moldou o cérebro humano com um potente viés de negatividade: fomos projetados pela natureza para superestimar o perigo e ignorar as coisas boas da vida para garantir a sobrevivência física imediata.
