Inteligência não é escudo contra o erro
Imagine um engenheiro brilhante que fecha um contrato ruim porque a planilha dele parece perfeita, e ignora o detalhe que um colega mais modesto teria percebido em dois minutos. Essa cena abre a discussão do livro de David Robson: o erro não nasce da falta de cérebro, mas de como o cérebro usa a própria capacidade. Quanto mais esperta a pessoa, mais hábil ela fica em montar argumentos convincentes, inclusive para si mesma.
A tese central incomoda. Robson mostra que a inteligência resolve bem problemas com regras claras, mas não protege contra os vieses cognitivos, que são atalhos mentais, as chamadas heurísticas, que distorcem o julgamento. Em vários estudos citados, pessoas com QI alto ou formação avançada não ficavam menos sujeitas a esses atalhos, e às vezes ficavam mais, porque sabiam construir justificativas melhores para o caminho escolhido.
O título em português ganha sentido aqui: não se trata de erro idiota de gente burra, e sim de erro previsível de gente esperta que confia demais no próprio raciocínio. Essa mudança de perspectiva já muda a pergunta. Em vez de se xingar por ter sido tão tolo, vale perguntar qual atalho o cérebro pegou naquela situação.
