A frase que ninguém assume
O título do livro brinca com uma frase muito comum na boca de políticos, chefes e todo mundo que errou: erros foram cometidos. Repare que ninguém aparece na frase. O erro existe, mas não tem autor. Os psicólogos sociais Elliot Aronson e Carol Tavris usam esse truque de linguagem como porta de entrada para uma pergunta séria: por que é tão difícil para as pessoas, inclusive as bem-intencionadas, admitir que erraram?
A resposta que o livro desenvolve é a autojustificação. Depois de tomar uma decisão ou agir de determinada forma, a mente trabalha sem parar para provar que a escolha foi certa. Não é mentira consciente, é um mecanismo de proteção da imagem que fazemos de nós mesmos como pessoas sensatas e boas.
O livro passeia por casos de justiça, medicina, política, casamento e memória para mostrar que o mesmo processo opera em todos eles, nos pequenos desacordos domésticos e nos desastres públicos.
Vale pensar no cotidiano: o motorista que fura o sinal e explica que estava com pressa, o colega que atribui o projeto atrasado ao fornecedor, o torcedor que jura que o juiz roubou o time. Cada um oferece uma explicação que o deixa em paz com a própria consciência, e quase ninguém percebe que está fazendo isso.
