15 minutos
Capa do resumo de Erros Foram Cometidos (Mas Juro Que Não Fui Eu)

Psicologia · 15 min

Erros Foram Cometidos (Mas Juro Que Não Fui Eu)

Elliot Aronson & Carol Tavris · 2007

Para quem é

Pra quem já teimou numa discussão sabendo, lá no fundo, que estava errado, ou convive com quem nunca recua. O livro explica o mecanismo mental que nos faz defender o indefensável e mostra como aprender a admitir falhas.

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3 ideias pra levar

1

Segundo o livro, quanto mais alguém investiu numa crença, mais difícil fica abandoná-la, mesmo diante de provas contrárias.

2

Para os autores, lembranças vívidas podem ser falsas, e a sensação de certeza não prova que o fato ocorreu como a pessoa conta.

3

Segundo o livro, ambientes que punem quem admite falhas fazem todos esconderem os erros, e ambientes que aprendem com eles descobrem os problemas mais cedo.

“
Quem se acha imune ao viés costuma ser quem menos se vigia.
Uma ideia de Erros Foram Cometidos (Mas Juro Que Não Fui Eu), nas palavras do 15 minutos

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A frase que ninguém assume

O título do livro brinca com uma frase muito comum na boca de políticos, chefes e todo mundo que errou: erros foram cometidos. Repare que ninguém aparece na frase. O erro existe, mas não tem autor. Os psicólogos sociais Elliot Aronson e Carol Tavris usam esse truque de linguagem como porta de entrada para uma pergunta séria: por que é tão difícil para as pessoas, inclusive as bem-intencionadas, admitir que erraram?

A resposta que o livro desenvolve é a autojustificação. Depois de tomar uma decisão ou agir de determinada forma, a mente trabalha sem parar para provar que a escolha foi certa. Não é mentira consciente, é um mecanismo de proteção da imagem que fazemos de nós mesmos como pessoas sensatas e boas.

O livro passeia por casos de justiça, medicina, política, casamento e memória para mostrar que o mesmo processo opera em todos eles, nos pequenos desacordos domésticos e nos desastres públicos.

Vale pensar no cotidiano: o motorista que fura o sinal e explica que estava com pressa, o colega que atribui o projeto atrasado ao fornecedor, o torcedor que jura que o juiz roubou o time. Cada um oferece uma explicação que o deixa em paz com a própria consciência, e quase ninguém percebe que está fazendo isso.

O desconforto de duas ideias que não combinam

O conceito central vem de Leon Festinger, mentor de Aronson: a dissonância cognitiva. É o incômodo que sentimos quando duas ideias, ou uma ideia e uma ação, entram em choque. Por exemplo, eu me considero uma pessoa honesta e, ao mesmo tempo, fiz algo desonesto. Essa tensão é desagradável, e o cérebro quer reduzi-la.

Há duas saídas. Uma é admitir o erro e mudar, o que dói e ameaça a autoimagem. A outra é ajustar a interpretação para que a ação pareça razoável: todo mundo faz, a culpa foi do outro, não foi tão grave. A segunda saída é mais fácil e, por isso, muito mais frequente.

Os autores insistem que a dissonância não é defeito de gente má. Ela atinge mais as pessoas que têm uma imagem positiva de si e que têm muito a perder ao admitir um erro.

Um exemplo comum é o do fumante que sabe dos riscos do cigarro e cria frases tranquilizadoras, como a de que o avô fumou a vida toda e viveu até os noventa. A ideia não elimina o perigo, mas reduz o desconforto de agir contra o que ele mesmo sabe.

O culto que não acabou com o fim do mundo

Uma história clássica do livro é a de um grupo que acreditava numa profecia de fim do mundo, estudado por Festinger e colegas nos anos 1950. A líder dizia receber mensagens de seres de outro planeta, que avisavam sobre uma catástrofe e prometiam salvar os fiéis numa nave. Muitos largaram emprego e bens para se preparar.

Quando a data passou e nada aconteceu, o esperado seria desistir. Em vez disso, parte do grupo reinterpretou o fracasso: o mundo fora poupado justamente por causa da fé deles. Passaram a divulgar a crença com mais força do que antes.

O exemplo mostra que, quanto maior o investimento em uma crença, maior a dificuldade de abandoná-la. No Brasil, qualquer um já viu parente defender com unhas e dentes um plano furado, um investimento ruim ou um líder decepcionante, justamente porque já gastou demais para voltar atrás.

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Sobre Elliot Aronson & Carol Tavris

Elliot Aronson é psicólogo social americano, professor emérito da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e estudou com Leon Festinger, criador da teoria da dissonância cognitiva. É autor de O Animal Social, manual clássico da área. Carol Tavris é psicóloga social e escritora americana, conhecida por livros como Anger: The Misunderstood Emotion e The Mismeasure of Woman. Erros foram cometidos foi publicado nos Estados Unidos em 2007.

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Categoria:
Psicologia