O que Goleman quer dizer com foco
Daniel Goleman ficou conhecido em 1995 com Inteligência Emocional, mas em Foco ele defende algo mais específico: antes de qualquer competência emocional ou social, existe uma habilidade básica que sustenta todas as outras, a capacidade de dirigir e manter a atenção. Sem ela, nem talento técnico nem QI alto resolvem, porque a pessoa não consegue manter a cabeça no que precisa ser feito.
O livro organiza essa habilidade em três direções que precisam funcionar juntas: foco interno, a atenção nos próprios sinais e emoções; foco no outro, a base da empatia e da relação; e foco externo, a atenção capaz de entender sistemas maiores, do mercado ao clima. Treinar só uma direção e ignorar as outras duas cria gente competente numa coisa e cega nas demais, como o gerente que entende de planilha mas não lê o clima da própria equipe.
Vale contextualizar quando isso foi escrito: 2013, antes do auge do celular como extensão do braço e da enxurrada de notificação que todo trabalhador brasileiro reconhece hoje, do grupo de WhatsApp da empresa que não para nem depois do expediente. O diagnóstico de Goleman envelheceu bem nesse ponto, mesmo escrito num momento em que o problema ainda estava longe do tamanho de hoje.
