O mundo ficou complexo demais pra caber numa cabeça só
Hoje um médico, um engenheiro ou um piloto raramente erra por falta de conhecimento. O conhecimento existe, publicado e testado. O problema é outro: aplicar certinho, toda vez, uma quantidade de passos que cresceu tanto que nenhuma memória humana dá conta sozinha. Um parto complicado pode exigir dezenas de decisões técnicas diferentes, cada uma pequena, cada uma capaz de virar tragédia se pulada.
Gawande, cirurgião, separa dois tipos de erro: erro de ignorância, quando ninguém ainda sabe o jeito certo de resolver algo, e erro de inépcia, quando o jeito certo já é conhecido e mesmo assim alguém deixa passar por pressa, cansaço ou excesso de confiança. Boa parte da medicina e da vida comum falha muito mais pelo segundo motivo.
Pense num motorista de aplicativo que sabe de cor as regras de trânsito, mas esquece de checar o retrovisor porque está apressado. Ele não errou por ignorância, conhece a regra. Errou por inépcia: sob pressão, o cérebro pula passos que sabe de cor. É esse tipo de falha que o livro tenta resolver com uma ferramenta simples de forçar a memória a não pular etapa.
