15 minutos
Capa do resumo de Dar e Receber

Desenvolvimento pessoal · 15 min

Dar e Receber

Adam Grant · 2013

Para quem é

Pra você que sente que ajuda demais e recebe pouco de volta, ou que desconfia que ser gentil no trabalho é sinônimo de ser passado pra trás. Dar e Receber mostra como a generosidade pode ser uma vantagem real na carreira, desde que venha com limite.

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3 ideias pra levar

1

Quem só pensa em si e quem doa sem limite nenhum podem, no fim, parar no mesmo lugar: no fundo da fila do sucesso.

2

O contato que mais te ajuda raramente é o amigo próximo, é o conhecido distante que enxerga um mundo de oportunidades que você nunca veria sozinho.

3

Uma reputação de generosidade genuína viaja mais rápido do que qualquer currículo, porque são as outras pessoas que contam essa história por você.

“
Ajudar quem nunca devolve não é generosidade, é combustível de graça pro sucesso de outra pessoa.
Uma ideia de Dar e Receber, nas palavras do 15 minutos

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Três jeitos de lidar com o outro no trabalho

Segundo o psicólogo organizacional Adam Grant, cada pessoa desenvolve um estilo preferido de troca quando interage com colegas, clientes e chefes: o doador, que naturalmente oferece tempo, contato ou ajuda sem cobrar retorno imediato; o tomador, que mede cada favor pelo que pode ganhar com ele; e o trocador, que tenta manter as contas emocionais sempre equilibradas, ajudando na mesma medida em que é ajudado.

Pense no grupo de WhatsApp do prédio ou do bairro: sempre tem alguém que avisa sobre o cano estourado, empresta a furadeira e ainda pergunta se está todo mundo bem, sem esperar nada em troca. Esse é o doador. No mesmo grupo, tem quem só aparece pra pedir indicação de encanador barato e nunca responde quando alguém precisa de ajuda: esse é o tomador clássico.

A maioria das pessoas não é pura em nenhum estilo: no trabalho, agimos de um jeito; em casa, de outro. Mas Grant mostra que, no ambiente profissional, quase todo mundo tem um estilo dominante, e esse estilo explica boa parte do que acontece com a carreira da pessoa a longo prazo.

Por que os doadores despencam pro fundo do poço

A pesquisa de Grant com vendedores, engenheiros e estudantes de medicina mostrou algo incômodo: os piores desempenhos, os mais atrasados e os mais esgotados, em geral eram doadores. Gente que aceitava terminar o trabalho dos colegas, respondia todo pedido de ajuda e nunca sobrava tempo pro próprio projeto.

Isso acontece porque o doador desinteressado não distingue entre quem merece ajuda e quem só está aproveitando a boa vontade alheia. Ele diz sim pro pedido do colega sobrecarregado e pro pedido do tomador que só quer empurrar trabalho pra outra mesa, tratando os dois casos do mesmo jeito.

No fim do mês, esse tipo de doador entrega tudo que prometeu pros outros e atrasa o que era dele mesmo. Com o tempo, a fama de bonzinho vira sinônimo de disponível pra qualquer coisa, e a agenda dessa pessoa passa a pertencer a todo mundo, menos a ela.

O paradoxo: os doadores também estão no topo

A parte que intriga é que, na mesma pesquisa, os melhores desempenhos também eram doadores, só que de um tipo diferente. Enquanto o doador esgotado dava até não sobrar nada pra si, o doador de sucesso ajudava sem se esquecer da própria meta, criando o que Grant chama de generosidade com limite.

A diferença entre o doador que afunda e o que sobe não é a quantidade de ajuda que oferece, mas o critério: o que sobe pergunta se aquele pedido é urgente, se cabe no tempo disponível e se realmente só ele pode resolver, antes de dizer sim de cara.

Isso derruba a ideia de que ser competitivo e ser generoso são opostos. Os dois extremos, tomador puro e doador sem limite, tendem a ter carreiras mais instáveis; quem sustenta sucesso constante costuma ser generoso com estratégia, não generoso sem pensar.

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Sobre Adam Grant

Adam Grant é psicólogo organizacional americano e professor na Wharton School, da Universidade da Pensilvânia. Além de Dar e Receber, publicou outros livros sobre comportamento e trabalho, como Originais e Pense de Novo. Também apresenta o podcast WorkLife, produzido pelo TED, sobre psicologia no ambiente de trabalho.