O paradoxo que dá nome ao livro
Todo mundo que sobe de cargo carrega pra cima os mesmos hábitos que usou pra chegar lá: a disposição de trabalhar mais que os outros, a vontade de aparecer, a pressa de resolver rápido. O problema é que, quanto mais alto você sobe, menos esses hábitos separam você do colega ao lado, porque todo mundo naquele andar já sabe fazer o trabalho técnico bem. O que passa a decidir quem sobe mais um degrau e quem trava ali é outra coisa: o hábito interpessoal, o jeito como você trata as pessoas.
É como o operário que vira supervisor brigando pra provar que sabe mais que todo mundo no chão de fábrica, e continua brigando do mesmo jeito quando já é gerente, só que agora briga com outros gerentes que também sabem o trabalho tão bem quanto ele. O comportamento que chamava atenção lá embaixo, aqui em cima, cansa e afasta gente.
O autor passou a carreira sentado do outro lado da mesa de executivos assim: gente competente, contratada e promovida pelo resultado técnico, sem entender por que a diretoria hesitava em dar o próximo passo. Quase sempre o motivo não estava na planilha, estava numa reunião, num comentário, numa forma de tratar quem trazia uma má notícia.
